A maioria dos senadores brasileiros anunciou já (nesta madrugada) que vai votar a favor do processo de destituição da Presidente Dilma Rousseff, durante os discursos que decorrem há mais de 17 horas no Senado do Brasil.

De um total de 81 senadores, 41 já anunciaram essa intenção, mas falta ainda a votação final.

Caso a Câmara Alta do Congresso confirme o impeachment, a chefe de Estado será afastada do cargo por um período de até 180 dias, durante o qual responderá pelas acusações de que é alvo.

O Senado entende que há indícios de crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, com base, essencialmente, em dois pontos: a emissão de seis decretos de crédito suplementar em 2015 e as "pedaladas fiscais" (operação de crédito irregular). Lava Jato e outras irregularidades de 2014 não fazem parte do parecer a favor da destituição.

A sessão começou às 14:00 de quarta-feira (hora de Lisboa) e a votação está prevista para as 10:00 de hoje.

Os senadores poderão votar "sim", "não" ou abster-se e, após a conclusão da votação, será divulgada a decisão de cada um.

Fernando Collor de Mello, único Presidente do Brasil até agora alvo do mesmo processo de destituição, foi o único senador que não revelou a intenção de voto.

Confirmado o "sim" à destituição, o vice-presidente Michel Temer assume a Presidência.

Recorde-se que na terça-feira, o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, revogou a sua própria decisão de anular a sessão que aprovou o processo de destituição.

O recuo na decisão aconteceu já depois de o presidente do Senado, Renan Calheiros, ter decidido manter a votação do impeachment.

Senadores com processos na justiça

Dos 81 senadores brasileiros que votam o impeachment, 47 têm processos pendentes na justiça.

Segundo a Organização Não Governamental (ONG) Transparência Brasil, mais de 60% do Senado tem contas pendentes na justiça brasileira.

O Senado conta com 81 eleitos, mas um dos eleitos, Delcídio do Amaral, perdeu o mandato na terça-feira e ainda ainda não foi substituído.

Vinte e quatro senadores são investigados em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), sendo que cinco deles também são réus em ações penais abertas naquele mesmo órgão.

Problemas nas ruas

Entretanto, no exterior, confrontos entre manifestantes antidestituição de Dilma e a Polícia Militar no centro de Brasília deixaram, na quarta-feira à noite, um ferido e levaram ainda a três detenções.

Manifestantes arremessaram pedras e outros objetos contra os agentes policiais e também fogo-de-artifício, ao que a Polícia Militar respondeu com gás lacrimogéneo, provocando os confrontos, mostram as imagens televisivas.