
Nem todos os dias diferentes são bons. O U. Leiria-Feirense é o exemplo disso mesmo. Foi um jogo atípico, que fica na história do futebol português, mas por motivos pouco agradáveis.
Foi quase um jogo fantasma. Era esse o aspeto do Estádio Municipal da Marinha Grande, quando a equipa do Maisfutebol chegou, duas horas antes do apito inicial. As últimas informações já davam conta de que a União de Leiria ia mesmo a jogo, mas as dúvidas só começaram a ser desfeitas às 14h40, com a chegada do autocarro, mais vazio do que é habitual. Oito jogadores saíram do veículo. Keita não estava no grupo, mas apareceu depois, nas imediações do estádio, à civil. Ficou desde logo a ideia de que estava à espera de qualquer coisa. Soube-se depois, pela voz de João Bartolomeu, que era dinheiro. Terá recebido seis mil euros, equipou-se para jogar, mas depois desapareceu, acusou o presidente demissionário da SAD.
Foi com oito jogadores que a União de Leiria se apresentou em campo. Sem aquecimento, diga-se. Quatro jogadores com ligação ao Benfica, dois juniores e dois jogadores que até estavam incluídos no grupo da rescisão coletiva, mas que recuaram na decisão. Posaram para a foto, para uma imagem que perdurará muitos anos. E depois bateram-se durante noventa minutos, alheios à polémica.
Nas bancadas até esteve mais público do que tem sido habitual. «Venho até pela curiosidade. Não é uma situação normal. Quero ver como isto se resolve», dizia antes do jogo Agostinho, um adepto leiriense que, assume, desloca-se ao estádio sobretudo nos jogos importantes.
No final do encontro ambas as equipas abandonaram o relvado sob fortes aplausos. Os adeptos do Feirense satisfeitos pela vitória, os leirienses decididos a reconhecer o esforço dos jogadores. Um final de tarde positivo, mas que não apaga a mancha deixada no futebol português.