O presidente do Sporting voltou a deixar claro, esta quarta-feira, que não tem qualquer intenção de se demitir. Bruno de Carvalho convocou os jornalistas para uma conferência de imprensa, que teve início cerca das 13:15, e em que reiterou que os elementos da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal é que se demitiram e que o Conselho Diretivo está a cumprir as funções para as quais foi eleito.

Referindo-se às exigências de demissão do Conselho Diretivo, o presidente do Sporting começou por se questionar se "está toda a gente maluca?".

De repente, ao ouvir uma série de sportinguistas no 'brunch' frente ao Visconde, onde ouvi pessoas muito intelectuais, ficámos com sensação que as pessoas não sabem o que é uma democracia", afirmou, referindo-se à Mesa da Assembleia Geral. "Nós fomos eleitos e nós é que temos de nos demitir? Estamos a cumprir o nosso mandato. Estamos a cumprir a democracia", defendeu. 

Sobre a assembleia geral para o destituir, marcada para 23 de junho, Bruno de Carvalho voltou a dizer que não há legitimidade da Mesa da Assembleia Geral para a marcar. O presidente leonino assegurou que o Conselho Diretivo é o único órgão em função, uma vez que a Mesa de Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar se demitiram.

Não fomos nós que os corremos, eles é que se demitiram. Se se demitiram, se não acreditam no projeto, então adeus! (...) Se acham que há ilegalidades, que recorram aos tribunais. Não podem usar o logo do Sporting. Isso é que é democracia? Estão a subverter tudo", defendeu. Perante as demissões em bloco "tivemos de tomar atos de gestão", justificou.

Para que não houvesse dúvidas, Bruno de Carvalho reforçou: "Não vai haver assembleia destitutiva a 23 de junho". Estes pseudo intelectuais continuam a cair nisto?", perguntou, recordando que a direção marcou eleições para a Mesa da Assembleia Geral e para o Conselho Fiscal para 21 de julho.  

Se querem uma assembleia geral destitutiva, entreguem as assinaturas. O primeiro subscritor pode estar presente nos serviços administrativos, e se cumprirem os preceitos legais, ela será feita", acrescentou, depois de Marta Soares, presidente da Mesa da Assembleia Geral ter dito que o clube não aceitou as assinaturas que já recolheu. 

 

"Nunca pedi a demissão. Sou responsável de quê?", respondeu, ao ser questionado pelos jornalistas sobre se se sentia responsável pela crise que afeta o clube de Alvalade. "Isto vai dar processos cíveis contra eles, eles estão fartos de ameaçar", acrescentou, referindo-se a quem apoia Jaime Marta Soares.

Jaime Marta Soares, presidente demissionário da Mesa Assembleia Geral do Sporting, confirmou, na terça-feira, a realização da Assembleia Geral a 23 de junho para "dar voz aos sócios" do clube. Marta Soares confirmou, ainda, que apresentou uma providência cautelar para garantir a realização da Assembleia de dia 23 e que as práticas do Conselho Diretivo são "ilegais".

"Problema" com a emissão obrigacionista

Nesta conferência de imprensa convocada poucas horas depois de Guilherme Pinheiro, um dos administradores da SAD leonina, ter apresentado a demissão, Bruno de Carvalho admitiu "um problema" com a emissão obrigacionista prevista pela SAD do clube, que foi colocada em stand by pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O presidente do Sporting responsabilizou o presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral pela situação.

É lógico que temos um problema, as pessoas vão ser responsabilizadas por este problema, mas cá estaremos para o resolver", afirmou o presidente do clube, em conferência de imprensa, acrescentando que "a responsabilidade de esta operação estar parada deve-se a Jaime Marta Soares".

"Cada um seguiu o seu rumo"

No final da conferência de imprensa, Bruno de Carvalho recusou comentar se considerava ou não Jorge Jesus o treinador ideal para o Sporting e confirmou que já tem o perfil do técnico que o irá substituir.

É homem", afirmou, para depois se levantar e abandonar a sala.

Quanto a Jorge Jesus, que assinou pelo Al-Hilal da Arábia Saudita, o presidente leonino admitiu no início da conferência de imprensa que "a rescisão estava sempre em cima da mesa" e que o prazo era até 24 de julho.

Cada um seguiu o seu rumo. Desejo-lhe a maior sorte", rematou.