O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, confirmou esta quinta-feira que já são nove os futebolistas que rescindiram contrato com o clube alegando justa causa, no dia em que foram noticiadas as saídas de Ruben Ribeiro, Battaglia e Rafael Leão.

A rescisão de Ruben Ribeiro foi oficializada durante a tarde, em comunicado enviado à Camissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVC), enquanto as do médio argentino Rodrigo Battaglia e do avançado Rafael Leão foram noticiadas por vários órgãos de comunicação social.

As rescisões de Rodrigo Battaglia, Rafael Leão e Rúben Ribeiro juntam-se às de Bas Dost, Gelson Martins, William Carvalho, Bruno Fernandes, Rui Patrício e Daniel Podence, todas na sequência das agressões de que o plantel foi alvo no dia 15 de maio na Academia do Sporting, em Alcochete.

Há nove jogadores que vão perder os processos com o Sporting. Não tenho dúvida alguma", afirmou Bruno de Carvalho, sublinhando que o Sporting está a trabalhar com os melhores advogados do mundo.

Bruno de Carvalho considera que "os jogadores foram enganados e já perceberam, porque vários empresários de jogadores que rescindiram já perguntaram se a partir de amanhã podem negociar" com o Sporting.

O presidente 'leonino' confirmou o pedido de rescisão de Rafael Leão e promete tornar públicas as mensagens trocadas com o jogador.

Bruno de Carvalho voltou também a manifestar "a certeza de que a FIFA vai atuar" porque não vê clube algum que tenha vontade de comprar jogadores se fora dada razão aos jogadores.

As minutas [das cartas de rescisão] são todas iguais. Portanto, se aquilo que está ali for motivo de justa causa, que não é, o futebol mudou. Se alguém contratar três ou quatro indivíduos para bater no Neymar, ele vai embora, o PSG perde 200 milhões e ainda tem de pagar o salário até ao fim?", questionou.

Estas rescisões surgem na sequência, entre outros casos, das agressões sofridas por vários elementos do plantel e da equipa técnica em 15 de maio, na Academia do Sporting, em Alcochete, levadas a cabo por cerca de 40 pessoas encapuzadas, das quais 27 foram detidas e ficaram em prisão preventiva.

Assembleia destitutiva

Em mais uma conferência de imprensa, o presidente da direção do Sporting, Bruno de Carvalho, reafirmou que não se demite, salientando que a Assembleia Geral (AG) de 23 de junho está “ferida de legalidade”, mas que vai garantir os meios para a sua realização.

Bruno de Carvalho afirmou que não reconhece Jaime Marta Soares como presidente da Mesa da AG nem a Comissão de Fiscalização que este nomeou, considerando que a reunião magna de 23 de junho está “ferida de legalidade”, mas salientou que vai disponibilizar os meios necessários o plenário em que deverá ser votada a destituição da direção.

Aos sportinguistas conferimos os meios necessários para que essa Assembleia Geral, que é um julgamento público, onde não podemos estar, decorra e vamos efetuar o pagamento. Fazemos isto em nome dos sportinguistas”, disse.

Bruno de Carvalho sublinhou que o faz em nome dos sportinguistas, mas não a bem do Sporting. “A bem do Sporting devíamos impugnar tudo”, frisou.

Bruno ausente

O presidente da direção do Sporting, que foi suspenso pela Comissão de Fiscalização nomeada por Jaime Marta Soares, presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral, voltou a garantir que a sua direção não se demite e explicou que não poderá estar presente na AG.

Não podemos participar, porque não somos sócios a dia 23, mas vamos disponibilizar aos associados os serviços e vamos permitir, que o que consideramos ex-presidente MAG venha amanhã [sexta-feira] aos serviços conferir todas as formalidades e todos os votos que diz que tem”, disse, alertando que, caso a destituição não seja confirmada, vai “cobrar até ao último cêntimo” os custos da AG a Marta Soares.

O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa considerou ilegal a comissão transitória da Mesa da Assembleia Geral (MAG) nomeada pela direção do Sporting, bem como as reuniões magnas por esta marcadas para 17 de junho e 21 de julho.

A primeira, marcada para o Pavilhão João Rocha, em Lisboa, tinha como pontos da ordem de trabalho a aprovação do orçamento para 2018/19 e a validação dos órgãos nomeados pela direção liderada por Bruno de Carvalho.

Esta AG foi convocada pela CT da MAG, encabeçada por Elsa Tiago Judas, em resposta à reunião magna convocada pela MAG demissionária, presidida por Jaime Marta Soares, para 23 de junho, na Altice Arena, em Lisboa. Apesar das divergências sobre a legalidade de cada um dos lados, certa é a obrigação estatutária de apresentação e votação do orçamento até 30 de junho.