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V. Guimarães-Sporting, 0-0 (crónica)

Alimentar a paixão e sofrer com isso: a sina do leão

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   |   2012-08-19 22:35

As emoções alimentam, mas não realizam. Agitam, mas não esclarecem. Este Sporting guia-se por um admirável instinto de sobrevivência, sem perceber, porém, que a felicidade está nos detalhes subtis e não nos clamores públicos de paixão.

O nulo de Guimarães é o espelho de uma relação complexa, caótica até, com a vitória. A pressa de tê-la, de possuí-la o quanto antes, afugentou-a para paradeiro desconhecido. O Sporting terá esquecido as mais elementares regras de atração pelo jogo, os mais sórdidos jogos de prazer com a bola e com o golo.

São demasiados anos de rejeição, épocas a mais de desejar e perder. Só isso pode explicar a abordagem desequilibrada, ansiosa, ainda que repleta de boas intenções, a esta Liga. O Sporting não ganhou em Guimarães por excesso de sangue, adrenalina e testosterona.

Basta olhar para o banco - e alucinar com o esbracejar convulsivo [e dispensável] de Sá Pinto - para testemunhar o tanto que o Sporting quer ganhar e o tanto que sofre para lá chegar. Ainda por cima, sem lográ-lo. Não há auto-estima que resista.

FICHA DE JOGO e AO MINUTO

A secura de resultados é bem capaz de conduzir ao esgotamento psicológico. O Sporting pode evitá-lo, aparenta até ter condições materiais para isso. Basta procurar ajudar, encontrar respostas lógicas, um caminho que faça sentido. Este modus-operandi, concebido por Sá Pinto, privilegia o ardor em detrimento da inteligência.

O Vitória, bastante mais ciente do que pode e sabe, teve esse lado do conhecimento. Foi mais inteligente, reconheceu o primarismo das suas ações e chegou onde queria. Fez o seu jogo, portanto, conduzindo da melhor maneira as armas que tinha. E eram, de longe, bem mais modestas do que as do oponente.

Oportunidades de golo? Poucas, quase nenhumas. Mais posse de bola? Do Sporting, pois claro, principalmente na derradeira meia-hora. Justiça no resultado? Sim, é aceitável, no seguimento da ideia que esta crónica defende.

Os Destaques: Defendi, exemplar

Houve bons sinais no processo defensivo, com Bouhlarouz e Rojo a cumprirem perfeitamente, mas preocupações no ordenamento do meio-campo e no apagão de Adrien Silva. Carrillo durou pouco, Capel foi intermitente e Van Wolfswinkel mal se viu entre Defendi e N'Diaye.

Não sabemos se por opção ou se por contingência, o Sporting renega a felicidade para visar o êxito. A equipa não é ditosa com a bola nos pés (daí o sacrifício de Adrien e depois de André Martins) e torna-se insuportável sem ela. Prefere o esgar e desvaloriza o sorriso na busca do bem maior, do Santo Graal que é o título nacional e o reconhecimento generalizado.

Por muito paradoxal que isto possa parecer, o Sporting empenha-se em agradar aos outros, sem nisso encontrar prazer. Há exemplos que contrariam e esmagam esta teoria mas, em boa verdade, só o futuro nos dirá se é Sá Pinto que tem razão.

Do nosso ponto de vista, pode-se vencer de outra maneira e, sobretudo, sobreviver de outro modo.


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