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LC: Sp. Braga-Udinese, 1-1 (crónica)

Bomba de Ismaily estilhaça o mau gosto italiano

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   |   2012-08-22 21:52

Em flagrante delito: a Udinese é irremediavelmente culpada por recuperar o mau gosto e os insuportáveis trejeitos do obsoleto catenaccio. O tão discutido cinismo e a ainda mais contestada cultura de encenação foram ferramentas de censura ao virtuosismo do Sp. Braga. O pé esquerdo de Ismaily atenuou os males da repressão transalpina, ao fazer o 1-1 final a meio da etapa complementar.

Veja o resumo do jogo

Justifica-se, aliás, começar por aí. Tão belo como as estátuas divinas do Renascentismo, tão precioso como os frescos solenes da Capela Sistina. O golo do lateral do Sp. Braga é uma vénia ao que de mais belo o futebol tem, um louvor à atitude de risco, de flexibilidade plástica e convicção dogmática.

Esse instante surgiu, de resto, no seguimento de uma avalanche de bom gosto. Este Sp. Braga de José Peseiro não abdica do passe curto, da movimentação inteligente, da arte de moldar e acariciar a construção ofensiva. Nem que para isso tenha de engolir uma injustiça insuportável.

FICHA DE JOGO E AO MINUTO

A farsa surgiu em forma de golo a meio do primeiro tempo. Na primeira vez em que a Udinese rematou à baliza de Beto, após vários ensaios falhados do Sp. Braga, Dusan Basta respondeu com um cebeceamento gigantesco.

Os minutos seguintes não foram fáceis de suportar, mas a tal obsessão pelo bom futebol e pela presença na Liga dos Campeões libertaram os minhotos para uma segunda parte enorme. Custódio tentou primeiro num remate à entrada da área, Alan atirou por cima de primeira e, a acompanhar tudo isto, uma circulação de bola impecável e uma paciência admirável.

José Peseiro abdicou depois de Hélder Barbosa, atirou com a rebeldia de Rúben Micael para o jogo e seria justamente recompensado. Antes da glória, um susto asfixiante: Beto faz duas defesas miraculosas na única ameaça séria da Udinese em toda a etapa complementar, após cabeceamento de Pinzi e recarga de Di Natale.

Os Destaques: dois milagres de Beto

O Sp. Braga sobreviveu e reentrou na corrida dos milhões logo depois, através do monumento ao golo edificado por Ismaily. Não deu para mais, é verdade, e a viagem a Itália será feita repleta de dúvidas.

Apesar desta igualdade e do choque entre duas culturas radicalmente opostas, o Sp.Braga pode e deve manter o otimismo. Pelo bom futebol jogado, pela consistência apresentada, pelo fio de jogo evoluidíssimo para este período da época.

A Liga dos Campeões, a mais bela prova mundial de clubes, merece uma equipa que sabe jogar futebol e que o faz com o maior dos prazeres. A Udinese projeta precisamente a identidade antagónica e traja orgulhosa a face do anti-jogo. Em Braga foi apanhada em flagrante delito.

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Sp. Braga-Udinese EM CIMA: Sp. Braga-Udinese

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