
A continuidade de Paulo Bento na Seleção depois do Euro2012 continua por confirmar, mas o selecionador garante que não está preocupado com o seu futuro, mas sim concentrado na preparação da prova.
«Há casos em que os treinadores atingem um nível alto em poucos anos. Não me parece que seja o meu caso. Fiz um percurso, passei pela formação durante dezasseis meses, e depois estive quatro anos num grande clube português, antes de chegar à seleção. Se me pergunta se é um trajeto bom para oito anos de carreira, diria que é muito bom, pois muitos poucos conseguem começar pelo topo. Sinto-me privilegiado por isso. Estou num cargo de topo também e não penso no que acontecerá para além daquilo que é o meu pensamento no Euro, e a preparação de uma competição como esta. Não me distraio com outras situações», disse o técnico, em entrevista à agência Reuters.
Questionado se Cristiano Ronaldo precisava de conquistar um grande título ao serviço da Seleção para ser considerado um dos melhores jogadores da história, Paulo Bento respondeu negativamente, e avançou com exemplos: «Figo e Ronaldo já foram considerados os melhores do mundo. O Eusébio, infelizmente para ele e para a Seleção, só esteve numa fase final, e não é por isso que deixa de ser considerado um dos melhores do mundo, e para muitos o melhor português de todos os tempos. Ronaldo tem um trajeto extraordinário na Seleção, com presenças desde 2004. Todos gostaríamos de ganhar uma grande competição, mas tendo em conta o seu potencial e qualidade, não me parece que precise de uma grande competição para ser considerado um dos melhores do mundo. Temos o exemplo do Maradona. Mesmo que ele não tivesse conquistado o Mundial de 1986 seria considerado um dos melhores de sempre.»
O técnico garantiu ainda que a Seleção Nacional não será uma equipa encolhida no Europeu, à espera da transição rápida. «Queremos uma equipa que domine todos os momentos de jogo. Tentaremos incutir isso nos nossos jogadores. Há um momento em que somos reconhecidos, que é o contra-ataque, pela velocidade e técnica dos jogadores. Não nos queremos limitar a ser uma equipa de contra-ataque. Queremos ter uma capacidade enorme para recuperar a bola rapidamente e queremos tratar bem a bola. Se somos reconhecidos pela qualidade técnica dos nossos jogadores, devemos incutir-lhes essa ilusão de ter a bola e criar situações de finalização», afirmou.