O Presidente da República considerou esta sexta-feira que o empate (3-3) com a Espanha na estreia no Mundial da Rússia foi "um milagre muito motivador" para Portugal, que agora tem "todas as condições para poder ir até ao fim".

No final do jogo, a que assistiu no Terreiro do Paço, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa declarou aos jornalistas que "um empate assim tem um sabor a vitória" e destacou a prestação de Cristiano Ronaldo, que marcou os três golos da seleção portuguesa: "ter o melhor do mundo fez a diferença".

Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo, foi três vezes o melhor. Ao virarmos esse resultado no fim do jogo, dá uma confiança enorme para Moscovo, onde lá estarei", disse.

Questionado sobre o que dirá à equipa antes desse jogo em Moscovo contra Marrocos, no dia 20, o chefe de Estado adiantou: "Quando chegar lá eu vou dizer que, tendo empatado com a Espanha, que é uma das grandes equipas, temos todas as condições para poder ir até ao fim. Todas as condições".

Se jogarmos acima um pouco daquilo que jogámos e com o Ronaldo a jogar tão bem como está a jogar, nós podemos ir, porventura, até onde não imaginaríamos", sustentou.

"Moral da equipa"

Marcelo Rebelo de Sousa assistiu ao Portugal-Espanha numa tribuna montada no Terreiro do Paço, tendo ao seu lado direito o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e à esquerda o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e quando se ouviu o apito final celebrou cerrando os punhos e batendo palmas.

Embora desejando a vitória de Portugal, o Presidente da República tinha apostado num empate com Espanha, 0-0 ou 1-1, e depois de sofrer com a seleção portuguesa a perder, congratulou-se com o resultado: "Um empate assim tem um sabor a vitória".

Para o moral da equipa é muito importante, porque estar a perder depois de ter estado a ganhar duas vezes e dar a volta dá uma grande confiança para os jogos seguintes", argumentou.

O chefe de Estado apontou Espanha como "uma das três melhores equipas do mundo", mas também realçou a qualidade de Cristiano Ronaldo: "Deus escreve direito por linhas tortas. E neste caso nem foi uma linha torta, foi o melhor do mundo".

Eu acho que já deu sorte estarmos aqui no Terreiro do Paço, permitiu este empate miraculoso. Estava muita gente a sentir aquilo que eu estava a sentir, quer dizer, éramos milhares a estarmos alegres em certos momentos e a sofrermos uma loucura noutros momentos", descreveu.

"Ambiente extraordinário"

O primeiro-ministro assistiu hoje ao empate de Portugal com Espanha, no Campeonato do Mundo de Futebol da Rússia, num ambiente frenético com mil portugueses, e no final, visivelmente satisfeito, elogiou esta seleção nacional que não desiste.

Sofremos todos. Mas tão ou mais emocionante do que este jogo disputado até ao último segundo com a Espanha foi este ambiente extraordinário, esta força dos portugueses aqui em Newark a torcer pela nossa seleção", declarou António Costa.

O primeiro-ministro assistiu ao empate, a três golos, de Portugal com a Espanha, com três ensaios de Cristiano Ronaldo, ao lado do governador do Estado de New Jersey, o democrata Phil Murphy, que demonstrou ser entendido em futebol.

Depois de uma segunda parte em que Portugal esteve grande parte do tempo a perder por 3-2, o líder do executivo nacional deu um pulo de alegria quando, nos últimos momentos do jogo, na transformação de um livre direto, o capitão da seleção nacional repôs o empate, marcando o seu terceiro golo.

Cristiano Ronaldo, pois claro!", desabafou o primeiro-ministro perante os jornalistas portugueses.

"Equipa que não desiste"

Mas António Costa fez depois questão de salientar que esta seleção é um coletivo, que tem milhões de portugueses a apoiá-la.

Não foi só Cristiano Ronaldo contra a Espanha, fomos todos nós a lutar por Portugal. Teoricamente, este era o jogo mais difícil e acabou como acabou. Temos uma equipa que não desiste, que esteve à frente, que passou para trás, mas não desiste, lutando até ao último minuto", declarou, tendo ao seu lado os secretários de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, e do Turismo, Ana Mendes Godinho.

Antes do jogo, o primeiro-ministro ofereceu ao Sport Club Português de Newark uma camisola da seleção nacional assinada por todos os jogadores e, durante o período do intervalo da partida, assinou o livro de honra desta associação com 98 anos de existência.

"Jogo incrível"

No final do jogo, também o governador do Estado de New Jersey estava contente, apesar de não ter assumido o seu apoio à seleção nacional por ter entre os seus eleitores muitos cidadãos da comunidade espanhola.

Vejo imenso futebol e este foi um jogo incrível. Portugal e a Espanha são duas das melhores seleções de futebol do Mundo", considerou.

Depois, Phil Murphy elogiou a comunidade portuguesa de New Jersey, começando por revelar que a sua assistente pessoal, de origem portuguesa, foi dirigente do Sport Club Português de Newark.

A comunidade portuguesa é uma das comunidades mais importante no nosso Estado", acrescentou.

Os 90 minutos de jogo, transmitidos na televisão, foram passados em ambiente de verdadeira loucura no Sport Club Português de Newark, com um 'speaker' que gritava sempre que a equipa portuguesa atacava e entrava no meio-campo adversário.

Mesmo com a seleção nacional a perder por 3-2 com a Espanha - em momentos em que os portugueses vindos de Lisboa já manifestavam alguma descrença face ao domínio de jogo espanhol -, os lusodescendentes e portugueses de Newark manifestaram sempre fé na inversão do resultado.

Um momento que ficará na memória de todos será seguramente a forma como se festejou a decisão do árbitro de assinalar livre direto contra Espanha nos últimos minutos de jogo. Houve manifestações de júbilo, muitos abraços, como se tratasse de um penálti.

A seguir aconteceu o terceiro golo de Cristino Ronaldo e uma explosão de alegria no Sport Club Português.