
O campeonato foi fiel a ele próprio até ao fim e terminou exatamente como foi a maior parte do tempo: imprevisível, incerto e apaixonante. Nem sempre espetacular, é verdade, mas pelo menos indeciso e hesitante. Lima, por exemplo, passou oitenta minutos longe do golo. No fim marcou.
Fê-lo aos 89 minutos, através de um penalty duvidoso. Nessa altura devolveu-nos ao foco de maior interesse deste último jogo: a luta pela liderança dos goleadores. Foi demasiado tarde e por isso não conseguiu melhor do que igualar Cardozo lá na frente. Perde por ter mais tempo de jogo.
Veja a ficha e as notas dos jogadores
Foi no fundo uma vã glória de marcar. O que remete para outro goleador: Van Wolfswinkel. O holandês fez um hat trick e mostrou que é realmente um caso sério de capacidade concretizadora. Chegou aos vinte e cinco golos na época e isolou-se no quarto lugar da lista de goleadores.
Foram três, podiam até ter sido mais e com isso vai devolvendo a esperança às bancadas de Alvalade. O público, por exemplo, despediu-se da equipa com aplausos, sorrisos e holas mexicanas. É difícil lembrar a última vez que o tinha feito. O que deve querer dizer alguma coisa, sem dúvida.
Recorde como vivemos o jogo ao minuto
Quer dizer, por exemplo, que o Sporting está vivo e tem fé: fé na equipa, fé no futebol e muita fé no futuro. Esta foi a noite, recorde-se, em que o clube meteu mais de 37 mil espetadores nas bancadas e bateu o tal recorde, com quatro anos, de assistências médias do novo estádio de Alvalade.
Ora sendo impossível dissociar todos estes factos, convém nesta altura recordar que dentro de campo o Sporting fechou o campeonato exatamente como tinha fechado o anterior: com uma vitória sobre o Sp. Braga. Na altura valeu-lhe a subida ao terceiro lugar, esta temporada não o fez.
Van Wolfswinkel, claro: confira os destaques
Na prática não o fez, é certo, na teoria permite pensar que o futuro pode ser mais risonho. O Sporting tem uma equipa, tem jogadores e tem princípios. Frente a um adversário que lutou pelo título até perto do fim, a formação de Sá Pinto foi melhor. Desperdiçou até um resultado mais gordo.
Sobretudo até à entrada do último terço, o Sporting fez quase sempre tudo bem. Teve ritmo, domínio do jogo e lucidez para mandar no futebol. Na zona de construção de golos faltou-lhe durante muito tempo um pouco mais do que apenas Carrilo. Faltou-lhe talvez outro jogador capaz de desequilibrar.
Veja como ficou a classificação final
O Sp. Braga, esse, voltou a acusar o problema recente: falta de motivação. A equipa entrou temerosa e só cresceu quando alguma coisa detonava uma reação. Reagiu, por exemplo, quando Hélder Barbosa empatou o jogo, voltou a reagir quando Lima deixou o empate à distância de um golo.
O tombo anímico dos minhotos foi enorme: imaginando-se a lutar pelo título, a equipa não teve força para fundamentar conquistas mais pequenas. Por isso despede-se de uma época brilhante com uma derrota. Ponto final. Para o ano há mais, seguramente: mais emoções, mais sorrisos, mais futebol.
Game over.