Se o último GP da Grã-Bretanha foi provavelmente a melhor Corrida da presente temporada da Fórmula 1, o GP da Alemanha foi também provavelmente a Corrida mais louca da época. Lewis Hamilton foi o grande vencedor ganhando tudo o que havia para ganhar e virando mais uma vez as contas do campeonato.

Com o Mundial a virar para a segunda metade, a 11.ª das 21 corridas do calendário virou novamente do avesso uma luta pelo título de uma época em que só a emoção pode ser prevista no seu crescendo em oposição à fiabilidade das outras previsões.

Sebastian Vettel chegava a Hockenheim com a motivação da vitória e do reforço da liderança do Mundial em Silverstone. E o piloto da Ferrari somou em Hovkenheim a vantagem de ter conquistado a pole position enquanto Lewis Hamilton se quedou pelo 14.º lugar da grelha de partida após um revés na Qualificação para o rival da Mercedes.

A mesa virou no final da Corrida deste domingo. Hamilton foi o vencedor e recuperou a liderança do Mundial – agora com 17 pontos de vantagem sobre o alemão, que não pontuou e terminou a prova no muro à 52.ª volta das 67 marcadas. Pelo meio da luta no topo do Mundial de Pilotos, pelo contrário, o GP da Alemanha terminou como começou à partida: Valtteri Bottas foi o segundo classificado, Kimi Raikkonen fechou o pódio e Max Verstappen ficou pelo quarto lugar.

Hamilton partiu do 14.º lugar e fez o que tinha a fazer: recuperar o mais possível. O campeão do mundo fê-lo partindo com os pneus macios e retardando a ida às boxes o mais possível em relação aos adversários da frente. Na cabeça da Corrida, a(s) estratégia(s) divergia(m). Mas nada de significativo se ia passando em relação a quem rodava «confortável» nos primeiros lugares com olhos no pódio e não apenas tentava recuperar: Vettel, Bottas, Raikkonen e Verstappen.

A «nuance» esteve na estratégia de Raikkonen que, ao ser o primeiro a começar o ataque às boxes dos que, na frente, partiram com ultramacios, acabou também por ser o mais beneficiado, pois, quando o quarteto onde não entrava Hamilton trocou para os macios, foi o finlandês da Ferrari a assumir a liderança da Corrida.

Isto acabou por não ser um problema para Vettel, pois as ordens da equipa levaram o seu parceiro finlandês a deixá-lo passar para a frente. Só então Hamilton foi trocar os macios para os ultramacios numa estratégia que se mostrou acertada para um final louco em que a chuva também interveio.

Com algumas partes da pista a ficarem molhadas, a incerteza sobre a «pontaria» das paragens dominava. Choveu e parou. Choveu noutras partes e parou. Verstappen chegou a colocar os intermédios, mas acabou por voltar à box para os colocar os ultramacios – e o holandês ia-se afastando da possibilidade do pódio...

No meio desta incerteza de «vai chover (mais) ou não?», Bottas recuperou o segundo lugar a Raikkonen já depois de Vettel perder um pouco da asa da frente. Mas o pior para o alemão ainda estava para vir. A falta de aderência dos macios numa curva fê-lo perder o controlo do carro e o Ferrari só parou contra o muro.

O golpe de teatro de que Hamilton com os seus ultramacios precisava tinha chegado. Vettel ficou fora. Bottas e Raikkonen voltaram novamente à box, durante o Safety Car, para conseguirem a melhor aderência nas últimas voltas com o composto mais mole. O inglês da Mercedes aproveitou para subir ao primeiro lugar e arrancar na frente quando o SC saiu. E a ordem não se alterou.

Hamilton sofreu um forte ataque de Bottas no recomeço da Corrida, mas, então, foi altura de a Mercedes dizer ao seu finlandês para levantar o pé e deixar Hamilton seguir. Verstappen não conseguiu melhor do que voltar a aproximar-se dos três pilotos do pódio. Raikkonen também não foi além do prémio mínimo de consolação para a Ferrari.

E os Mercedes seguiram para a dobradinha que tão improvável parecia e que volta a colocar a equipa alemã no topo do Mundial de Construtores, com o segundo lugar de Bottas e a ainda menos «impensável» vitória de Hamilton partindo do 14.º lugar que resultou na liderança do Mundial, agora, com mais 17 pontos do que Vettel antes da paragem do verão.

Classificação do GP da Alemanha de F1:

Classificação do Mundial de Pilotos:

Classificação do Mundial de Construtores:

1. Mercedes, 310 pontos

2. Ferrari, 302

3. Red Bull, 211

4. Renault, 80

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Confira o Filme da Corrida.

O Mundial 2018 de F1 prossegue no próximo fim de semana de 27 a 29 deste mês com o GP da Hungria antecedendo as férias de verão com uma paragem de cerca de um mês.