
VÍDEO do Alemanha-Itália (1-2)
A Itália, a bella Italia, eliminou a Alemanha (2-1), mantendo a certeza histórica de que quando se cruzam as duas seleções, os germânicos saem a chorar. Aconteceu de novo, na meia-final do Euro-2012. Balotelli foi um deus.
Esqueça os primeiros 19 minutos. Foram mentira, mostraram-nos equilíbrio entre duas seleções que são história. A Alemanha a ir um pouco mais à frente, mas a Itália organizada, tranquila.
No minuto 20 isto deixou de ser verdade. A solidez alemã caiu num drible de Cassano e numa desatenção de Hummels, até ali um dos grandes centrais da prova. O homem do Milan utilizou o pé esquerdo para cruzar, em esforço. A bola saiu redonda e caiu atrás de Badstuber, na cabeça de Balotelli. O italiano não teve piedade. Neuer só olhou.
Sofrer o golo, aos 20 minutos, foi obviamente mau para a Alemanha, que chegava a este jogo com um percurso incrível de quinze jogos sempre a ganhar. Pior, dizia, foi não ter conseguido reagir. A Itália era tudo aquilo que mostrara nas partidas anteriores, mais Montolivo solto, Cassano inspirado e Balotelli a fazer golos. Os alemães queriam bola, mas só a viam, muitas vezes de longe, escondida nos pés de Pirlo, Marchisio e De Rossi.
O golpe deve ter sido difícil de encaixar, porque a Alemanha atacava mal e desorganizava-se. Num desses momentos, aos 36 minutos, a bola sobrou para Montolivo, ainda no meio-campo italiano, sobre a esquerda. O passe saiu como muitos, longo, à procura de um dos avançados. Balotelli fez o movimento correto e saiu disparado. Desta vez, dominou, caminhou e antes de pisar a linha de grande área, despediu-se do pé. O remate encontrou a bola em cheio no coração e entrou com uma certeza raramente vista na baliza de Neuer. Pela segunda vez, o guarda-redes só conseguiu olhar.
A realização do jogo mostrou logo a seguir a festa italiana e uma das imagens do Euro-2012, a lágrima de uma adepta alemã. Um momento motivado pelo que Balotelli estava a fazer e pelo que se seguiria. A precisar de organizar a cabeça e de ter bola, a equipa de Law viu quinze minutos de maturidade e excelência tática da Itália. Perfeito.
Nos primeiros 45 minutos, a única coisa boa para a Alemanha foi o intervalo.
A segunda parte foi diferente. Houve mais Alemanha, o que obrigou a Itália a esconder-se um pouco. Prandelli primeiro retirou Cassano, depois Montolivo. Resguardou-se. Lahm desperdiçou uma oportunidade logo aos 50 minutos. Depois Buffon fez grande defesa aos 63. Pelo meio, o tempo passou.
A Itália saía quase só pela certa, mesmo assim podia ter marcado, por Balotelli e Marchisio. Mas a bola saiu sempre ao lado. A Alemanha arriscou tudo ao retirar Boateng e partiu para os últimos 20 minutos com todo o fôlego.
Para a Itália bastava segurar a bola e não cometer erros atrás. A Alemanha lançava Muller, talvez porque a qualidade de Ozil não estivesse a ser a necessária, com demasiadas bolas perdidas na construção. E era precisamente isso que a seleção de Prandelli aproveitava para sair. Sempre bem, sempre com intenção e perigo.
Claro que sem espaço a Alemanha deixava de existir. As oportunidades sucediam-se, mas perto da baliza de Neuer. Diamanti, Di Natale, Marchisio. Toda a gente ia aparecendo por lá. De repente, grande penalidade para a Alemanha. Ozil marcou e ofereceu dois minutos de intensidade máxima, no mais fantástico jogo do Euro-2012.
Mas a bola foi ter com Pirlo. Ele, senhor do jogo, levou-o pela mão até ao fim, ao encontro da história. Quando a Alemanha se cruza com a Itália, deixa de ser verdade que é ela a ganhar.
Domingo a mais bella Italia dos últimos anos reencontra a Espanha na final, em Kiev.