A maioria dos 14.735 sócios que foi ao Altice Arena votou a favor da destituição de Bruno de Carvalho e o que resta do Conselho Diretivo. Foi pouco antes da meia-noite que foi conhecida a decisão, ainda que não de forma oficial dos sócios do Sporting.

Após pedido de recontagem de Bruno de Carvalho, os resultados oficiais, anunciados por Jaime Marta Soares, presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG), são claros: 71,36% contra 28,64%. A abstenção cifrou-se em 0,53%.

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Foram cerca de 15 mil sócios que participaram na Assembleia Geral deste sábado, o que se traduz em 70 mil votos.

Mais cedo, num reunião magna que teve início às 14h30 e que se prolongou até ao início da madrugada de domingo, Marta Soares anunciou que as eleições para os órgãos sociais do Sporting serão marcadas para 8 de setembro.

Numa das mais concorridas assembleias gerais de sempre do Sporting, em que votaram 14.735 sócios, Bruno de Carvalho, que marcou presença e votou pouco depois das 20 horas de sábado, permaneceu no recinto até ao anúncio dos resultados. Suspenso de funções pela Comissão de Fiscalização nomeada pela MAG, Bruno de Carvalho tinha dito que não marcaria presença na reunião magna, mas acabou por aparecer.

De acordo com os resultados finais, a que a Lusa teve acesso, 9.477 dos votantes, com uma correspondência de 53.517 votos, disseram sim ao afastamento de Bruno de Carvalho, enquanto 5.138, correspondentes a 21.475, preferiam a continuidade do presidente.

Veja o acompanhamento AO MINUTO da AG do Sporting

Após largas semanas de polémica em torno dos órgãos sociais do Sporting, foi revogado com justa causa o mandato dos membros do Conselho Diretivo. Apesar de destituído, Bruno de Carvalho mantém-se à frente dos destinos do clube de Alvalade até ao final do mês.

No final, à saída do Altice Arena, registaram-se desacatos envolvendo adeptos e jornalistas. Vários agentes da polícia evitaram incidentes de maior. Bruno de Carvalho esteve no local a falar com os sócios e adeptos ali presentes para terem calma, uma vez que alguns estavam a insultar e ameaçar os jornalistas.

A AG foi convocada com o objetivo de decidir o afastamento ou a continuidade de Bruno de Carvalho, figura central de uma crise que se agudizou com a perda do segundo lugar na I Liga de futebol e a invasão de adeptos à Academia do Sporting, em Alcochete.

Bruno de Carvalho, que em fevereiro viu uma larga maioria de sócios legitimar o seu mandato - aprovando alterações aos estatutos e ao regulamento disciplinar, e a continuidade dos órgãos sociais - é o primeiro presidente a enfrentar a possibilidade ser afastado em quase 112 anos de história do clube.

Eleito em 2013 e reconduzido em 2017, Bruno de Carvalho considerou, desde o início, que a AG é ilegal, e garantiu, mais tarde, que não marcaria presença no plenário que decorre na Altice Arena, em Lisboa, desde as 14 horas.

Em vésperas da AG, o presidente verde e branca afirmou que se afasta do cargo se a sua destituição for votada de forma fidedigna.

A AG foi convocada por Jaime Marta Soares a 24 de maio, numa altura em que presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) já tinha dito publicamente que se demitira, embora nunca tenha formalizado o pedido.

Além da MAG, o clube ficou também sem quórum no Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD), e o Conselho Diretivo (CD), liderado por Bruno de Carvalho, perdeu seis membros.

A maioria dos pedidos de demissão surgiram logo após 15 de maio, dia em que vários futebolistas do plantel e elementos da equipa técnica e do staff foram agredidos na Academia por cerca de 40 adeptos encapuzados, dos quais 27 foram detidos e ficaram em prisão preventiva.

Estes acontecimentos, levaram os futebolistas Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes, Battaglia, Bas Dost, Podence, Ruben Ribeiro e Rafel Leão a rescindirem contrato alegando justa causa.