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OPINIÃO: falhar é tão português

Nova crónica de «Era capaz de viver na Bombonera»

Por: Luis Mateus  |  11- 9- 2010  1: 53

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«Era capaz de viver na Bombonera»

O bom português está habituado a falhar. A chegar lá, àquele instante em que não pode, não deve e não quer, e... puff. Às vezes anda lá por cima, de peito cheio a pairar, a par dos realmente grandes, suportado por estatísticas e coeficientes de circunstância, e é candidato a este mundo e outro. Mas falha. Põe as mãos na cabeça, sente que foi por pouco. Repete que morreu na praia, por um raio de pormenor, um reles de um árbitro, a estúpida bola que deixou rasto na trave, o azar impensável do guarda-redes. Julga que não é justo, diz em voz alta «que fiz eu para merecer isto» e bate no peito, cerra os punhos, volta a inchar de moral, preparado como nunca para voltar a não ter sucesso outra vez. E novamente por pouco.

Tenho a certeza, e vocês também, que vou falhar neste texto. Também eu fazia o que fez Eduardo, rematava em rosca como Danny, chegava ainda mais atrasado do que Almeida ou atirava ainda mais sem nexo do que Quaresma. Falharia ainda mais do que todos eles, com ou sem a minha avozinha ao colo, e sentiria da mesma forma que estive quase lá sem nunca aí ter estado. E eles fariam tão mau papel como o meu, de portátil em frente dos olhos e dedos por estalar, a dizer coisas que não fazem sentido a ninguém. Mas por pouco também. Porque me falta sempre uma palavra...

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