A Polícia Judiciária está nesta manhã a fazer buscas no Benfica relacionadas com o caso dos emails, que envolvem quadros do clube encarnado e figuras ligadas ao universo da arbitragem, apurou a TVI

A TVI sabe também que as buscas estendem-se à casa de Luís Filipe Vieira.

O Benfica confirmou, entretanto, em comunicado, que as buscas, "que pecam por tardias", estão a decorrer no Estádio da Luz (ver mais abaixo).

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa anunciou que as buscas domiciliárias e não domiciliárias estão a decorrer e envolvem um total de 34 elementos. Segundo, ainda, o Ministério Público, em causa estão crimes de corrupção passiva e ativa "por parte de um suspeito" e o "inquérito encontra-se em segredo de justiça".

(...) Foram emitidos mandados de busca domiciliária e não domiciliária, relativos a investigação em curso pelos crimes de corrupção passiva e ativa. No inquérito investiga-se a prática, por parte de um suspeito, dos referidos crimes, relacionados com os denominados emails do Benfica. A operação encontra-se em curso, contando com a presença de quatro magistrados do Ministério Público, dois Juízes de instrução e 28 elementos da PJ, incluindo inspetores e peritos financeiros, contabilísticos e informáticos."

A revista Sábado acrescenta que igualmente a casa de Pedro Guerra, diretor de conteúdos da BTV, está a ser visada pelas autoridades.

Na terça-feira, o advogado dos encarnados, João Correia, pediu mesmo "justiça rápida" no caso dos emails. 

O caso teve início em junho, depois de o diretor de comunicação do FC Porto ter divulgado vários emails relacionados com o Benfica.Então, a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ pediu ao FC Porto "toda a documentação" que tinha na sua posse. Foi o próprio Francisco J. Marques que entregou "toda a documentação disponível em suportes originais" às autoridades.

O clube da Luz ainda tentou impedir a divulgação de mais mensagens através de uma providência cautelar, mas viu o pedido rejeitado pelo Tribunal Judicial da Comarca do Porto.

O Benfica alegou sempre tratar-se de "informação falsa e distorcida" e anunciou, através do seu diretor de comunicação, Luís Bernardo, que ia dar entrada de processos-crime contra o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e a SAD azul e branca.

"Nunca em nenhuma circunstância tais atos ocorreram", afirmaram as águias numa das notas divulgada no seu site.

Os oito árbitros implicados pelo FC Porto no caso dos emails apitaram 37 jogos dos três grandes na época 2013/2014. À excepção de Rui Silva, todos os outros juízes estiveram em encontros ganhos pelo Benfica.

Benfica diz que buscas "pecam por tardias"

O Benfica já reagiu às buscas que estão a decorrer relativamente ao caso dos emails, confirmando, em comunicado, que "foram realizadas operações de recolha de informação nas instalações do Estádio da Luz por elementos da equipa de investigação da Polícia Judiciária" e que essas diligências ocorreram "meia hora depois" de terem tido conhecimento da operação "através da Comunicação Social".

Para o clube encarnado, "estas operações, que pecam por tardias, são encaradas com a maior normalidade", lembrando, ainda, que a SAD, "desde o primeiro momento, requereu e disponibilizou-se a fornecer toda a informação necessária a um cabal esclarecimento de toda esta situação (...) para o apuramento da verdade".

A Sport Lisboa e Benfica SAD reforça o seu apelo a uma rápida e urgente investigação para defesa do seu bom-nome, responsabilização de quem sistematicamente tem cometido diversos crimes e no sentido da normalização institucional do Futebol Português. Aliás, a Sport Lisboa e Benfica SAD aguarda que sejam investigados os autores materiais da violação do seu sistema informático, o que, apesar de reiteradamente solicitado, ainda não foi executado", conclui o comunicado.  

Os implicados nos emails

Nos emails, alega o FC Porto, é claro que o Benfica está implicado num esquema que envolve arbitragem e que "adultera a verdade desportiva".

Na antena do Porto Canal, Francisco J. Marques apresentou alegadas mensagens de correio eletrónico de responsáveis encarnados.

Os protagonistas da alegada troca de emails são Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, Adão Mendes, ex-árbitro da Associação de Futebol de Braga, Nuno Cabral, ex-delegado da Liga de clubes, Mário Figueiredo, antigo presidente da Liga de clubes e Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.

Segundo Francisco J. Marques, num dos emails, Adão Mendes pedia a Paulo Gonçalves para ser revista a nota de Manuel Mota, árbitro de Braga. “Temos de lhe dar nota positiva. Ele e eu apelamos ao doutor”, terá escrito o ex-árbitro.

Num outro email, Adão Mendes solicitou auxílio na revisão da avaliação do filho, Renato Mendes. "Peço que ponha toda a carne no assador, como eu ponho todos os dias por nós”, escreveu, obtendo a seguinte resposta de Paulo Gonçalves: “Caro Adão, amanhã tentarei explicar pessoalmente a razão que assiste ao árbitro. Se depender de mim…”

Também o ex-delegado da Liga Nuno cabral terá enviado um email a Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira sobre arbitragem. "Apenas quero ser o menino querido para vocês e fazer o meu trabalho. E que o “homem” confie em mim", terá dito Nuno Cabral, que terá ainda enviado uma lista dos melhores candidatos a árbitros assistentes.

Francisco J. Marques denunciou, igualmente, uma alegada troca de correspondência entre o então presidente da Liga, Mário Figueiredo, e Luís Filipe Vieira, sobre declarações do presidente do Sp. Braga, António Salvador. “Por favor tem calma, que sempre tenho estado e estive do teu lado”, terá dito Mário Figueiredo. “Ainda querem-me fazer de atrasado mental”, terá respondido o presidente do Benfica.

Entre outras situações, o responsável dos dragões revelou, ainda, a alegada partilha de mensagens de telemóvel do atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, na altura em que presidiu à Liga de clubes, entre o diretor de conteúdos da BTV, Pedro Guerra, e o ex-presidente da Assembleia-Geral da Liga Carlos Deus Pereira.