Dezenas de trabalhadores da multinacional Visteon Corporation manifestaram-se esta terça-feira à entrada das instalações da empresa em Palmela, em protesto «contra o despedimento colectivo de 72 trabalhadores», numa fábrica que dizem ter registado «lucros de 14 milhões de euros».

«A Visteon tem planos para a fábrica de Palmela, mas está a promover um processo de despedimento colectivo que é uma vergonha e incompreensível», disse o sindicalista Luís Leitão à Lusa.

«Querem é livrar-se de trabalhadores efectivos que estão na linha e que registaram algum absentismo porque, infelizmente, deram cabo da sua saúde nesta fábrica, ou tiveram de faltar porque tinham os filhos doentes», acrescentou, convicto de que os trabalhadores despedidos serão brevemente substituídos por outros, com vínculo precário.

Trabalhadores não se conformam

O sindicalista lembrou ainda que muitos trabalhadores efectivos da Visteon contraíram doenças profissionais (tendinites) que não só os impedem de um bom desempenho na actividade laboral, como, em alguns casos, também os incapacitam para as tarefas mais simples do quotidiano.

Margarida André e Marta Tavares, duas trabalhadoras da Visteon que dizem já ter recebido a carta de despedimento, não se conformam com a decisão da empresa, que consideram ser ilegal.

Por outro lado, não aceitam o motivo, alegadamente, invocado pela administração, para justificar o despedimento: o absentismo.

«O argumento foi escolher os mais novos e os que têm maior taxa de absentismo», disse Margarida André, acrescentando que o ano passado teve de faltar 15 dias porque tinha o filho com varicela.

Marta Tavares também diz ter sido surpreendida pela carta de despedimento, porque nunca estava sempre disposta a desempenhar qualquer tarefa e a fazer horas extraordinárias aos sábados, domingos e feriados.

«Estou aqui há 13 anos, desde 1996, não me nego a nada, sempre que posso faço horas, faço sábados, domingos e feriados», disse, convicta de que está a ser penalizada por ter faltado alguns dias o ano passado, quando a filha teve de ser operada aos dois ouvidos.

Os responsáveis da Visteon escusaram-se a prestar qualquer declaração sobre o despedimento colectivo de 72 trabalhadores, remetendo os jornalistas para um comunicado da empresa.

A empresa refere que estas medidas surgem como resposta às últimas previsões de produção dos clientes e promete reanalisar a decisão no final de Março, com base nas necessidades dos clientes e na evolução do negócio.