A União de Sindicatos do Distrito de Beja (USDB) manifestou-se esta quarta-feira preocupada com o desemprego na região, estimando que existam «cerca de 10 mil» pessoas sem trabalho, das quais mais de 60 por cento são mulheres.

«Estimamos que o desemprego real no distrito de Beja afecta cerca de 10 mil trabalhadores, embora os dados oficiais, que apontavam 8.144 desempregados em Janeiro deste ano, procurem esconder a realidade», disse à agência Lusa o responsável da USDB, Casimiro Santos.

Segundo o sindicalista, mais de 60 por cento dos desempregados são mulheres, mais de 40 por cento têm até 35 anos, perto de 30 por cento são desempregados de longa duração e cerca de 44 por cento têm o 12º ano ou ensino superior.

Há «bolsas de pobreza» no distrito

«A situação é complicada e tem-se agravado ultimamente, porque o patronato no distrito tem aproveitado a actual onda de crise para redimensionar as empresas e despedir pessoal», lamentou Casimiro Santos, alertando para a existência de «algumas bolsas de pobreza».

A «maior machadada» em postos de trabalho no distrito, lembrou Casimiro Santos, verificou-se em Aljustrel, devido à suspensão da laboração nas minas, que levou ao «despedimento de trabalhadores a quem tudo havia sido prometido», mas que tinham sido contratados «em situação de precariedade e mesmo a recibos verdes».

Agricultura é um dos sectores mais afectados pela crise

A agricultura, que «devia ser a base económica da região», é um dos sectores mais afectados pela crise, a par do pequeno comércio e das empresas do ramo automóvel.

O pequeno comércio, que actualmente «é quase residual na cidade de Beja», sobretudo devido à «proliferação das grandes superfícies comerciais», é o sector onde «têm vindo a encerrar mais empresas, que em conjunto empregavam algumas centenas de trabalhadores».

No ramo automóvel, os trabalhadores «vivem num ambiente bastante frágil», devido às «notícias que são diariamente lançadas relativamente aos efeitos da crise» no sector.

Situação «escandalosa» nos «call centers» da PT

Casimiro Santos denunciou ainda a situação «escandalosa» nos «call centers» da PT e da PT Contact em Beja, nos quais «cerca de 600 trabalhadores, contratados por empresas de trabalho temporário», trabalham «em precariedade total e auferindo salários miseráveis».