Depois de o primeiro-ministro ter dado as suas explicações no Parlamento, esta sexta-feiram a Tecnoforma também quis prestar os seus próprios esclarecimentos. Passos Coelho trabalhou na empresa entre 2001 e 2007, não entre 1995 e 1997 enquanto era deputado. Mais: a Tecnoforma era «o principal mecenas» do Centro Português para a Cooperação, uma organização não governamental com a qual Passos Coelho colaborou, mas não sabe quanto é que o chefe de Governo recebeu em despesas de representação.

«A Tecnoforma confirma que o senhor doutor Pedro Passos Coelho iniciou a sua colaboração em finais de 2001 e terminou em meados de 2007. Durante este período o doutor Pedro Passos Coelho foi remunerado pelos serviços prestados à Tecnoforma», afirmou Cristóvão Carvalho, do escritório de advogados que está a tratar da recuperação da empresa, em conferência de imprensa.

O responsável acrescentou que «a Tecnoforma era o principal mecenas, era feito um donativo mensal para esta empresa», mas disse que não tem «presente o valor».

A empresa também não sabe quanto recebeu o primeiro-ministro:  «Sobre essa matéria de fundo, eu como advogado da Tecnoforma não lhe sei dizer. Posso-lhe remeter para o que ouvi esta manhã o senhor primeiro-ministro dizer: que no que toca a essa matéria foi reembolsado de algumas despesas de representação». 

Cristóvão Carvalho refutou que o Centro Português para a Cooperação tenha sido fundado pela Tecnoforma e indicou que a ONG tinha contabilidade própria. Daí desconhecer o valor dos reembolsos.

Esta reação da empresa envolvida na polémica, já chamada de caso Tecnoforma, chegou poucas horas depois do Primeiro-ministro ter começado o debate quinzenal com explicação sobre a polémica com a Tecnoforma. Passos Coelho que não recebeu rendimentos, mas admite despesas de representação.  «Nunca enquanto fui deputado recebi qualquer valor» , afirmou categoricamente Passos Coelho.

O representante legal da Tecnoforma disse, ainda, que a empresa vai agir judicialmente contra jornalistas e comentadores, pelo «monstro que criaram e que gerou uma grande confusão». E nem alguns membros do Governo escapam, mas o advogado não quis revelar quem são.