O debate parlamentar de urgência pedido pelo Bloco de Esquerda (BE) sobre violência de género irá decorrer a 08 de julho, e nele o partido irá questionar a avaliação «da resposta concreta no terreno» sobre este problema.

«Tivemos alterações legislativas nos últimos anos importantes, o BE empenhou-se bastante nestas alterações, mas é preciso avaliar como no terreno as entidades se estão a portar e qual a avaliação a fazer», realçou a coordenadora do partido Catarina Martins à agência Lusa.

A bloquista falava à agência Lusa depois de se ter reunido com o Observatório das Mulheres Assassinadas da União Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), num encontro preparativo para o debate parlamentar solicitado pelo partido.

Os dados de violência de género «mantêm-se em níveis extremamente altos, completamente inaceitáveis», diz Catarina Martins, mais a mais quando existe uma descida da população e da criminalidade de um modo geral.

Para o Bloco é preciso entender «como está a correr» a prevenção e o tratamento destas situações «do ponto de vista da polícia, dos magistrados, até dos serviços de saúde».

«O corte nas prestações sociais está a ter um impacto direto nas vítimas com menos apoios», alertou ainda a deputada e coordenadora do BE, que chamou ainda a atenção para a «prevenção primária» destes casos.

«Há uma área em Portugal em que se continua sem fazer absolutamente nada e [perante a qual] não se podem fechar os olhos: prevenção primária. Continua sem existir nenhuma formação, desde logo na escola, para prevenir a violência», advogou.

O Bloco lembra que só no primeiro semestre de 2014, e, de acordo com números da UMAR, foram mortas 20 mulheres em consequência de atos de violência doméstica.