“Ah, Finalmente, Natureza”, da artista portuguesa Gabriela Albergaria, e “Departamento dos Futuros Abandonados”, do dinamarquês Joachim Koester, são as duas próximas exposições do Fórum Eugénio de Almeida, em Évora, que vão ser inauguradas no sábado.

As mostras, que vão poder ser visitadas pelo público até ao dia 10 de janeiro de 2016, são promovidas pela Fundação Eugénio de Almeida (FEA) e resultam de parcerias com dois outros centros artísticos, um colombiano e outro inglês.

A iniciativa que mostra o trabalho da portuguesa Gabriela Albergaria é fruto de uma colaboração entre a FEA e o centro FLORA ars+natura, de Bogotá (Colômbia) e dedicado à arte contemporânea, com ênfase na relação entre a arte e a natureza.

“Ah, Finalmente, Natureza”, explicou hoje a fundação, “nasceu” de uma residência artística feita por Gabriela Albergaria numa cidade colombiana, em que “realizou saídas de campo” e “recolheu espécimes, fotografou e desenhou”.

A mostra que vai ser apresentada na cidade alentejana, com curadoria de José Roca, diretor artístico do FLORA ars+natura, combina os materiais recolhidos na Colômbia com materiais, imagens e espécimes de Évora e de outros lugares de Portugal.

O objetivo é tentar “entretecer paisagens separadas cultural e geograficamente a partir de operações escultóricas exercidas sobres os materiais destes lugares”.

“Esta exposição cria uma distância entre si e o natural e, através de ações escultóricas, efetua um reordenamento da sua forma, da sua lógica compositiva, da sua estrutura e das suas ordens relacionais, para nos devolver uma natureza ligeiramente transformada, subtilmente outra”, resumiu a FEA.

Quanto à iniciativa que dá a conhecer o trabalho do dinamarquês Joachim Koester, que realiza pela primeira vez uma exposição individual em Portugal, é fruto de uma coprodução do Fórum Eugénio de Almeida e do Turner Contemporary, em Margate, no Reino Unido.

O artista, que equilibra “a linha ténue entre o documentário e a ficção” e que reexamina “histórias esquecidas, utopias falhadas e o obsoleto”, apresenta nesta mostra uma “complexa instalação de filmes e som”, estreado uma nova obra realizada propositadamente para a exposição, intitulada “Praying Mantis”.

Em “Departamento dos Futuros Abandonados”, Koester propõe “uma viagem física, conceptual e estética através de imagens e do som”, em que o público é convidado “a encontrar a memória do futuro que ainda não aconteceu, das histórias que ainda não foram contadas”.

“Uma exposição-viagem que tenta refletir sobre o significado da experiência estética” e sobre “o que significa ver uma exposição, caminhar pelas salas, ver filmes, olhar para a arte”, explicou a FEA, referindo que a mostra tem curadoria de Filipa Oliveira.

Para este artista, uma exposição “não é apenas um aglomerado de obras, mas antes uma experiência de perceção, enfatizada pela cenografia do espaço, na qual as obras contribuem para a construção de uma paisagem (mental) arquitetada por cada espetador”.