O alerta está feito. Os industriais da construção consideram que o sector pode perder 95 mil postos de trabalho este ano, em Portugal, caso o Governo não avance com investimentos públicos. A crise na habitação pode apagar 285 mil empregos num ano em toda a economia portuguesa.

Em declarações à Agência Financeira, o presidente da Federação Portuguesa da Construção (FEPICOP), Reis Campos, garantiu que para combater o desemprego é essencial implementar um conjunto de medidas, que vão desde «o arranque do plano de obras públicas» aos «apoios de financeiros à reabilitação urbana».

IVA: reembolso ainda mais atrasado

«Se nada for feito o sector pode perder directamente 95 mil postos de trabalho, em Portugal, este ano. Além disso, se tivermos em conta que a Comissão Europeia definiu que há um multiplicador a este nível, então estamos a falar de mais de 200 mil empregos em causa, de forma indirecta», disse.

Mais. Para Reis Campos «o impacto no desemprego poderá significar um acréscimo entre 2 a 3 mil milhões de euros na despesa pública, já que alguém tem de pagar os subsídios de desemprego a estes trabalhadores», sustentou à AF.

Apoios à banca devem «ser reflectidos nas empresas»

Segundo o presidente da FEPICOP, uma das prioridades passa pelo reforço dos apoios à reabilitação urbana. «As cidades estão degradadas e, por isso, o Governo deve rever a Lei das rendas que estão desajustadas à realidade imobiliária», acrescentou.

Crise pode gerar 200 mil novos desempregados

O executivo liderado por José Sócrates deverá ainda garantir «o imediato pagamento das dívidas do Estado às empresas do sector», que ascendem já a 1.900 milhões de euros.

Além disso, «os apoios conseguidos pelo Estado a banca devem ser reflectidos nas empresas».

Reis Campos lembrou ainda que a produção no sector caiu 3,1% em 2008, sendo que nos últimos sete anos, o sector assinalou uma quebra de 25% no seu todo. «A única sustentabilidade vem apenas da exportação que aumentou 24,3%», disse.

«Se nada for feito para alterar o actual quadro de referência, tudo aponta para que esta tendência se mantenha em 2009, com quebras de produção que poderão ultrapassar os cinco por cento», rematou.