A França vai registar este ano um défice público equivalente a 5,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), muito acima do limite de 3 por cento fixado pelas regras europeias, anunciou esta quarta-feira o governo.

O governo francês apresentou em Conselho de Ministros um projecto de orçamento rectificativo para 2009 que tem em conta o impacto da recessão e medidas de relançamento anunciadas desde o final do ano passado.

«Ninguém pode saber hoje quando vamos sair da crise. O que sabemos é que todo o ano de 2009 será um ano de crise», declarou terça-feira o primeiro-ministro François Fillon, confirmando esta brusca degradação das finanças públicas.

O orçamento inicial adoptado no final do ano passado apontava para um défice de 3,9 por cento do PIB.

A Comissão Europeia abriu a 18 de Fevereiro procedimentos em défices excessivos contra seis países, entre os quais a França e a Espanha.

Este orçamento rectificado prevê uma contracção da actividade económica de 1,5 por cento em 2009, contra um crescimento de 0,2 a 0,5 por cento no orçamento anterior.

Esta previsão é, no entanto, mais optimista do que as das grandes instituições internacionais, com a Comissão Europeia a antecipar um recuo do crescimento francês de 1,8 por cento e o Fundo Monetário Internacional (FMI) uma quebra de 1,9 por cento.

As novas previsões do défice integram as despesas ligadas ao plano de relançamento, em particular 6,9 mil milhões de euros de ajuda à indústria automóvel, assim como 7,5 mil milhões de euros ligados à baixa das receitas, em consequência do abrandamento da actividade económica.