A economia portuguesa pode perder até 2,5%, no caso de haver uma guerra comercial generalizada entre as principais potências mundiais.

É o cenário extremo calculado pelo Banco de Portugal (BdP) para o conjunto dos próximos três anos, caso se verifique uma redução acentuada do comércio global.

As novas projeções do banco central mantém no essencial o que já era conhecido em março. Este ano, a economia deverá crescer 2,3%, confirmando-se o abrandamento face aos 2,7% do ano passado.

Em 2019, a economia vai abrandar outra vez para 1,9%.

Não é uma retração, mas é menor crescimento e neste sentido, no Boletim Económico de junho, divulgado esta quinta-feira, o BdP defende que "o atual enquadramento económico e financeiro favorável deve ser aproveitado para corrigir os constrangimentos estruturais ao crescimento de longo prazo, os quais, de resto, ajudam a explicar o abrandamento da atividade económica ao longo do horizonte de projeção", ou seja, até 2020.

Além disso, o BdP considera que o "aumento das tensões geopolíticas e o crescimento da incerteza política a nível internacional reforçam a importância e a urgência de progressos em várias dimensões", sobretudo na redução do endividamento, na alocação do investimento aos setores mais produtivos da economia, na melhoria das qualificações dos trabalhadores portugueses e na redução do desemprego de longa duração.

Em 2018, o PIB deverá aumentar ligeiramente acima do estimado para o conjunto da área do euro, alcançando o nível observado antes da crise financeira internacional. Para os dois anos seguintes prevê-se um crescimento semelhante ao projetado para a área do euro", prevê o banco central.

Segundo o banco central, a expansão económica entre 2018 e 2020 "deverá assentar no dinamismo das exportações e do investimento e no crescimento moderado do consumo privado", componentes que abrandam progressivamente o seu ritmo de crescimento nos próximos anos.

Exportações e importações a crescerem menos

No que diz respeito apenas a 2018, apesar de manter a estimativa de crescimento económico para o conjunto do ano, o BdP prevê agora que as importações e as exportações cresçam menos do que um quarto do que previa que crescessem em março. Na altura, o banco central esperava que as exportações avançassem 7,7% e as importações 7,2%, agora prevê que aumentem 5,7% e 5,5%, respetivamente.

O banco central também reviu em baixa o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), esperando agora que cresça 5,8% quando em março antecipava que aumentasse 6,5%.

No Boletim Económico, o BdP explica que "o crescimento das exportações reflete a evolução da procura externa e ganhos de quota de mercado que se vão desvanecendo ao longo dos próximos anos" e que a recuperação da FBCF "ocorre num quadro de manutenção de condições monetárias e financeiras acomodatícias e de perspetivas favoráveis quanto à evolução da procura global".

Em 2020, o valor das exportações de bens e serviços deverá situar-se 67% acima do registado em 2008 e o investimento empresarial deve recuperar o nível pré-crise no final de 2019, afirma o BdP.

O consumo privado deverá crescer em linha com a evolução do PIB: 2,2% em 2018, 1,9% em 2019 e 1,7% em 2020, o que "traduz o desvanecer de efeitos associados à concretização de despesas que tinham sido adiadas no quadro da última recessão, bem como a evolução do rendimento disponível real, influenciada por um crescimento moderado dos salários reais e pela continuação da recuperação do mercado de trabalho, embora a um ritmo progressivamente menor", afirma o banco central.

Já no que diz respeito ao mercado de trabalho, o BdP melhorou ligeiramente a estimativa de redução da taxa de desemprego, que prevê agora que se situe em 7,2% este ano, 6,2% no próximo e 5,6% em 2020 (uma redução de 0,1 pontos percentuais em 2018 e 2019).

No que diz respeito ao emprego, o BdP prevê que cresça 2,6% este ano (acima do aumento de 1,9% que previa em março), 1,2% em 2019 (menos 0,1 pontos percentuais do que o previa em março) e 0,9% em 2020 (o mesmo).

As projeções do banco central apontam para um "ligeiro reforço" da capacidade de financiamento da economia portuguesa até 2020, com o saldo conjunto da balança corrente e de capital a fixar-se em 1,8% do PIB nos três anos do horizonte, e para uma continuação de uma taxa de inflação estável, nos 1,4% em 2018, 1,5% em 2019 e 1,4% em 2020, ou seja, abaixo dos valores publicados pelo Banco Central Europeu (BCE) para a área do euro.