O BBVA reviu em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa em 2014, antecipando agora um aumento de 0,9%, e prevê uma aceleração da atividade para os 1,5% em 2015.

De acordo com as previsões conhecidas esta terça-feira, o banco espanhol calcula que, no quarto trimestre deste ano, se verifique uma «continuação da recuperação a um ritmo similar ao do terceiro trimestre de 2014, apresentando [a economia portuguesa] um crescimento de 0,3%» entre outubro e dezembro e face ao trimestre anterior.

Para este ano, o modelo económico do BBVA aponta para um crescimento de 0,9% da economia portuguesa, abaixo da previsão de 1% realizada a 20 de outubro e também abaixo da previsão do Governo, que espera um crescimento de 1% este ano.

Já para 2015, o BBVA calcula que Portugal cresça 1,5%, uma previsão que está em linha com a estimativa do executivo.

O banco espanhol justifica estas previsões com «a melhoria do mercado laboral, a confiança das famílias e a baixa inflação» que deverão «impulsionar a gradual recuperação do consumo privado».

O BBVA estima que o consumo privado de Portugal cresça 1,6% em 2014, «desacelerando ligeiramente em 2015 até os 1,3%, após o desaparecimento da forte recuperação temporária das despesas das famílias no final do ano passado».

Quanto ao investimento, o banco espanhol defende que «os fundamentos que suportam o aumento (...) desde meados de 2013 prosseguem», destacando a melhoria da procura interna e a recuperação da procura externa, o que se traduz num «forte aumento de investimento em máquinas e bens de equipamento, embora ainda persista a forte correção do investimento destinado ao setor da construção».

O BBVA calcula que o investimento da economia portuguesa cresça «cerca de 1,3% em 2014 (após cinco anos consecutivos de fortes quedas) e (...) que acelere até cerca de 2,8% em 2015».

No entanto, os analistas do BBVA alertam para um «forte aumento das importações», o que significa que «as exportações líquidas contribuirão negativamente para o crescimento em 2014 e terão uma contribuição ligeiramente positiva em 2015».

O BBVA refere ainda que a sua previsão enfrenta «riscos no sentido descendente», associados sobretudo às «expetativas atuais de menor crescimento esperado para o conjunto da zona euro», do qual o setor exportador de Portugal «é largamente dependente» e cuja evolução «é determinante para sustentar a recuperação do investimento».