A economia portuguesa deverá ter crescido entre 0,1% e 0,4% no terceiro trimestre deste ano face aos três meses anteriores, segundo números antecipados pelos analistas contactados pela Lusa e que poderão ser confirmados pelo INE.

O Instituto Nacional de Estatística divulga esta sexta-feira a estimativa rápida referente às contas nacionais trimestrais, que apresentam a evolução do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre, sendo que, entre abril e junho, o PIB cresceu 0,3% face ao primeiro trimestre e 0,9% em relação ao mesmo período de 2013, de acordo com as contas nacionais trimestrais divulgadas pelo INE em setembro, tendo já em conta o novo Sistema Europeu de Contas.

Num comentário enviado à Lusa, a analista financeira do banco BPI Teresa Gil Pinheiro é a que antecipa um crescimento inferior, estimando que «o PIB poderá registar uma variação em cadeia de 0,1% e homóloga de 0,9%».
Teresa Gil Pinheiro justifica esta estimativa com «o crescimento mais moderado das exportações», considerando que esse abrandamento «vai continuar a limitar o contributo da procura externa para o crescimento».

Na mesma linha, o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa, da Universidade Católica, antecipa um crescimento de 0,1% em cadeia e de 0,8% em termos homólogos no terceiro trimestre deste ano, «o que corresponde a um crescimento ténue e semelhante ao observado no segundo trimestre (0,3% em cadeia e 0,9% homólogo)».

Confirmando-se esta previsão, isso quer dizer que «a economia não terá regressado ainda ao nível do quarto trimestre de 2013, recuperando apenas parcialmente da contração de 0,5% registada no início do ano», referem os economistas do NECEP.

Por sua vez, o presidente da Informação de Mercados Financeiros, Filipe Garcia, é ligeiramente mais otimista, esperando «um crescimento em cadeia entre os 0,2 e 0,3% coerente com um maior contributo da procura interna, nomeadamente no investimento em maquinaria e aquisição de veículos», uma estimativa semelhante à que o banco BBVA divulgou no final de outubro.

Filipe Garcia refere ainda que, «no comércio externo, a subida das exportações deverá ser mais do que compensada pelo avanço das importações».

Já o economista chefe do banco Montepio, Rui Bernardes Serra, apresenta, num comentário feito à Lusa, estimativas mais favoráveis, antecipando um crescimento do PIB em cadeia de 0,4% no terceiro trimestre face ao segundo e um aumento homólogo de 1,2%.

«O crescimento do PIB em cadeia terá sido suportado, essencialmente, pelo consumo privado e pelo investimento em capital fixo, enquanto o contributo das exportações líquidas terá sido apenas marginalmente positivo, com o crescimento das importações de bens de consumo e de bens de investimento a compensar a quase totalidade do crescimento das exportações», afirma Rui Bernardes Serra.

O economista chefe do Montepio e a analista financeira do BPI preveem um aumento de 0,9% do PIB para o total do ano, ligeiramente inferior ao crescimento económico de 1% que o Governo pretende para 2014.