O advogado de vários clientes do Banco Privado Português (BPP) afirmou que «há muita gente» que aceita a criação de um «mega-fundo» proposto pela administração, embora não haja uma decisão tomada.

«Houve muita gente a aplaudir o mega-fundo mas não há certezas sobre isso, não há uma acção tomada, não se conhece nada a fundo para que se possa decidir», declarou aos jornalistas Luís Miguel Henrique, no final de uma reunião de clientes do BPP, que decorreu à porta fechada num hotel de Lisboa, escreve a Lusa.

A reunião terminou ao fim de cinco horas e meia, sem que clientes pertencentes à Associação de Defesa dos Clientes do Banco Privado Português e à Privado Clientes tivessem decidido sobre um conjunto de propostas a apresentar à instituição bancária e prestassem declarações aos jornalistas.

As propostas em análise incluíam a criação de um mega-fundo e a devolução da totalidade dos montantes depositados, acrescidos ou não de juros acordados, para os quais o banco comercializou com os clientes um depósito a prazo mas sob a forma de aplicações de retorno absoluto garantido.

Mega-fundo teria de ser gerido pela CGD

Para a Associação de Defesa dos Clientes do Banco Privado Português, seria um fundo mobiliário fechado detentor de todos os produtos financeiros actualmente detidos por vários veículos do BPP (sociedades comerciais, sociedades off-shores ou outras).

Ainda segundo a associação, o mega-fundo, para ser aceite, teria de ser cotado em bolsa ou integralmente gerido pela Caixa Geral de Depósitos.

Uma terceira proposta estava em cima da mesa, a chamada «Acesso imediato à carteira» para os clientes que estão dispostos a assumir perdas incorridas pelo banco, «desde que isso represente uma possibilidade imediata de liquidez».

O advogado de vários clientes Luís Miguel Henrique referiu que houve apenas «um princípio de discussão, de diálogo», tendo a reunião acabado com «metade da ordem de trabalhos» concluída.

Sobre a possibilidade das duas associações de clientes do BPP se fundirem e serem representadas pelos advogados Rogério Alves e António Vitorino, não foi tomada qualquer decisão nesse sentido, adiantou.