António Saraiva está preocupado com o financiamento das empresas portuguesas. A que acrescem as preocupações com a espanholização da banca. Em entrevista ao Negócios, o presidente da CIP referiu ainda ser "inaceitável" que Bruxelas aplique sanções a Portugal.

Mas entre os temas a pressionar a economia, para o responsável da CIP, o crédito malparado da banca, é um dos mais problemáticos. "Se não se encontrar um instrumento que retire da banca este volume de crédito e dê às empresas a possibilidade de amortizarem a sua dívida, ou alongando prazos, ou transformando dívida em capital, ou outro mecanismo qualquer, se isto não for feito, as empresas dificilmente irão obter crédito junto da banca".

E António Saraiva vai ainda mais longe: "não tendo crédito da banca, não recebendo a tempo dos seus clientes, às vezes do próprio Estado, as empresas vão acabar por morrer. Vão morrer, vão causar mais desemprego. Estamos com uma bomba-relógio debaixo dos pés".

Além disso, considera que o programa comunitário Portugal 2020 pode ser uma oportunidade e deve ser "dirigido fundamentalmente à inovação e à competitividade da economia portuguesa".


"Temos de encontrar formas de as empresas portuguesas acederem a estes instrumentos de investigação e desenvolvimento. Com estas linhas de financiamento que hoje temos, se bem canalizadas, podemos ajudar o tecido empresarial a aceder a esta nova realidade", acrescenta.

Neste contexto, António Saraiva deixa um alerta: para que estes fundos sejam bem aplicados é preciso que haja articulação entre Governo, banca e a forma como as empresas se devem candidatar. "É isso que esperamos que aconteça. Pergunta-me se o Programa Nacional de reformas vai ao encontro destas necessidades. Se olharmos para os seis pilares do programa, diria que está lá tudo praticamente definido", diz.

É "inaceitável" que Bruxelas aplique sanções a Portugal

O presidente da confederação, afirma que a Comissão Europeia não se pode tornar num “fator de instabilidade” aplicando sanções a Portugal por incumprimento das metas do défice.

"A Comissão Europeia tem de ter bom senso. Portugal fez um esforço de consolidação orçamental visível e reconhecido por todos, que foi necessário para restaurar a confiança dos investidores, com consequências pesadas no emprego e no crescimento. Isto foi necessário para gerar confiança e criar uma base de estabilidade. Não pode ser a Comissão Europeia, agora, a tornar-se um fator de instabilidade (...) Seria inaceitável", refere Saraiva na mesma entrevista ao Negócios.

Mas o responsável não deixa de criticar o Governo pela falta de ambição na redução estrutural da despesa. "A CIP critica a falta de ambição e de consistência no esforço de redução estrutural da despesa e na redução da carga fiscal. Mas reconhecemos que este é o rumo que deve ser seguido, embora com mais ambição e consistência",