A atriz Fernanda Lapa, que este ano comemora as cinco décadas de carreira, disse à Lusa que, por vezes, se sente tratada como se estivesse a começar a trabalhar, devido à falta de condições e apoios.
 
Em declarações depois do ensaio geral da peça «MarLeni – Divas Prussianas, Loiras como Aço», que hoje se estreia no Cineteatro Constantino Nery, em Matosinhos, Fernanda Lapa revelou que a luta, no caso da sua companhia teatral, é «não deixar morrer» porque «se morre, acabou».
 
«Às vezes penso: ‘Caramba, chego aos 50 anos de carreira e sou tratada como se tivesse começado agora’. E isso é triste. E isso magoa. Porque não temos as condições mínimas de trabalho», afirmou a atriz, também diretora artística da Escola de Mulheres – Oficina de Teatro.
 
Fernanda Lapa sublinhou que não se pode pensar que «a cultura é rentável», porque é «um bem por si próprio, não tem preço».
 
«Teve sempre que se lutar muito no teatro. Neste momento estamos numa altura muito grave, quer dizer, todo o país, em todas as profissões. A cultura é claro que sofre mais, tem um orçamento reduzidíssimo e é onde se corta», declarou a artista.
 
Neste contexto, Fernanda Lapa reconheceu que se «Divas Prussianas, Loiras como Aço» não tivesse contado com o apoio e coprodução do Constantino Nery não teria sido possível levar a peça ao palco.
 
Na obra, a atriz contracena com Isabel Ruth, num texto que põe frente a frente a realizadora alemã Leni Riefenstahl e a atriz Marlene Dietrich.
 
«Não há muitos papéis para mulheres da minha idade e da Isabel. Não há muitas personagens femininas. Normalmente são as avozinhas, as velhas bruxas, seres humanos complexos com desafios, com conflitos, não há, por isso achei a peça muito interessante», sublinhou Fernanda Lapa.
 
«MarLeni – Divas Prussianas, Loiras como Aço» vai estar em cena em Matosinhos até domingo e prossegue depois para Lisboa, onde estará entre 11 e 19 de dezembro no São Luiz Teatro Municipal.