Um erro monumental, histórico até, marcou o ano passado a 89ª cerimónia dos Óscares. "La La Land" foi anunciado como o Melhor Filme, mas, afinal, a estatueta era de "Moonlight". Um envelope trocado esteve na origem do incidente, inédito na história dos prémios da Academia. Determinada a evitar novo plot twist, como se diz no cinema, a PriceWaterhouseCoopers (PwC), auditora responsável há 84 anos por receber, contabilizar e velar pelos resultados dos votos que determinam os vencedores das estatuetas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, decidiu este ano adotar nova regras.

As mudanças, divulgadas na segunda-feira pela Associated Press e confirmadas pela Academia de Hollywood e pela PwC, passam em primeiro lugar por confirmar, antes da subida ao palco, que quem vai anunciar os prémios tem o envelope correto nas mãos. Essa confirmação deve ser feita impreterivelmente pelo assistente de palco.

O ano passado, a PwC afastou das próximas cerimónias Brian Cullinan e Martha Ruiz, os responsáveis pela entrega, aos apresentadores, dos envelopes dos vencedores em cada categoria. Brian Cullinan foi acusado de estar distraído com o que se passava nos bastidores quando deveria ter entregue o envelope do vencedor do prémio de Melhor Filme.

Este ano, além dos habituais dois elementos da PwC responsáveis pela entrega dos envelopes nos bastidores, haverá um terceiro que se sentará na régie com os produtores da cerimónia. Além disso, os três funcionários da PwC terão também de participar nos ensaios e deverão antecipar como proceder caso haja outro erro.

A mudança mais drástica de todas é, este ano, a de que os responsáveis da PwC estão proibidos de utilizar os telemóveis ou estarem nas redes sociais enquanto decorre a entrega dos Óscares. O ano passado, antes de entregar o envelope errado a Warren Beatty, Brian Cullinan partilhou no twitter uma foto de Ema Stone encantada por ter ganho o Óscar de Melhor Atriz Principal por “La La Land”.

Em 2017, no momento mais aguardado pela plateia do Dolby Theater, em Los Angeles, nos EUA, e pelos milhões de espectadores que assistiam à cerimónia no mundo inteiro, Warren Beatty tinha o envelope que anunciava o Melhor Filme. Abriu-o, leu o que dizia, hesitou e passou a palavra a Faye Dunaway, que anunciou o vencedor como sendo "La La Land". E depressa a equipa de Damien Chazelle subiu ao palco para agradecer a estatueta mais desejada da noite.

Mas o inesperado aconteceu, já o musical fazia a festa. O envelope tinha sido trocado e o que chegou a Warren Beatty e Faye Dunaway não era o de Melhor Filme, mas o de Melhor Atriz, que tinha ido para Emma Stone, de "La La Land". Estávamos perante um erro monumental. O Melhor Filme era, afinal, "Moonlight", o drama de Barry Jenkins que acompanha as três fases da vida de um homem e a descoberta da sua sexualidade, num bairro problemático de Miami.

A bronca, devido a um erro humano na hora da entrega do envelope com o nome do filme vencedor, levou a PricewaterhouseCoopers a pedir desculpa horas depois da cerimónia.