"O Caso Spotlight", de Thomas McCarthy, venceu o Óscar de Melhor Filme na 88ª cerimónia dos Óscares, que ocorreu este domingo, em Los Angeles. O filme conquistou a estatueta mais aguardada da noite, deixando para trás o grande favorito "O Renascido". Antes já tinha conquistado o Óscar de Melhor Argumento Original, somando dois prémios no total. "O Renascido", de Alejandro González Iñárritu, saiu como o grande derrotado da noite. 

Entrou como favorito, com 12 nomeações, mas foi ultrapassado por "Mad Max: Estrada da Fúria" e acabou por levar apenas três estatuetas para casa. "O Renascido" acabou mesmo por falhar a categoria mais importante, a de Melhor Filme, e, por isso, este domingo não saiu pela porta grande do Dolby Theatre, em Los Angeles.

Ainda assim, permitiu momentos que ficam para mais tarde recordar. "O Renascido" foi o filme que deu, cinco nomeações depois, o Óscar de Melhor Ator a Leonardo DiCaprio, naquela que foi uma das passagens mais marcantes da cerimónia. O ator, que é um conhecido ecologista e ativista, fez um dos discursos da noite, chamando a atenção para as alterações climáticas e a necessidade de os grandes líderes mundiais protegerem o planeta. 

"As alterações climáticas são reais. Estão a acontecer agora." 

 

Mais, "O Renascido" deu o terceiro óscar consecutivo a Emmanuel Lubezki pela Melhor Fotografia e permitiu uma proeza a Alejandro González Iñárritu: o mexicano tornou-se no terceiro cineasta da História do Cinema a conquistar o Óscar de Melhor Realização pelo segundo ano consecutivo, depois de ter vencido nesta categoria o ano passado com "Birdman". John Ford, "As Vinhas da Ira" (1941) e "O Vale era Verde" (1942), e Joseph L. Mankiewicz, "Carta a Três Mulheres" (1950) e "Eva"  (1951), eram até aqui os únicos que o tinham conseguido. Iñárritu agradeceu o prémio e apelou à "diversidade" para se acabar com "o preconceito da cor da pele", numa alusão à polémica sobre a ausência de negros entre os nomeados aos Óscares.

"O Caso Spotlight" protagonizou a grande surpresa da noite, mas não a única. É que "Mad Max: Estrada da Fúria", de George Miller, o segundo filme mais nomeado (com 10 nomeações), foi o que somou mais estatuetas - ainda que todas em categorias técnicas. Venceu os prémios para Melhor Guarda-Roupa, Melhor Cenografia, Melhor Caraterização, Melhor Montagem, Melhor Montagem de Som e Melhor Mistura de Som. Até Louis C.K. brincou com o assunto - quando anunciava o prémio de Melhor Curta-Metragem Documental começou por dizer "Mad Max", quando, na verdade, o vencedor era "A Girl in the River: The Price of Forgiveness". 

De resto, a cerimónia correu de forma expectável e sem grandes percalços. A muito favorita Brie Larson venceu na categoria de Melhor Atriz pelo seu papel em "Quarto", Alicia Vikander ("A Rapariga Dinamarquesa") conquistou o Óscar de Melhor Atriz Secundária e Mark Rylance ("A Ponte dos Espiões") o de Melhor Ator Secundário. O Melhor Argumento Adaptado foi para "A Queda de Wall Street", o Melhor Filme Estrangeiro foi para a Hungria, "O Filho de Saul", o Melhor Filme de Animação foi "Divertida-mente" e "Amy" foi considerado o Melhor Documentário.

Chris Rock foi o anfitrião de serviço numa cerimónia marcada pela polémica em torno das tensões raciais. E o apresentador não fugiu ao tema que, nas semanas anteriores, tanta tinta tinha feito correr na imprensa. De resto nem era preciso recuar muito tempo, porque minutos antes, equanto as celebridades desfilavam pela passadeira vermelha, um pequeno grupo de manifestantes liderado pelo ativista Al Sharpton, protestava pela falta de diversidade dos nomeados. Chris Rock atacou o assunto sem demoras, usando o humor como arma e como escudo.

"É Hollywood racista? Sim, Hollywood é racista. Hollywood é uma irmandade racista. (..) “Queremos oportunidades – dêem aos atores negros as mesmas oportunidades que dão aos atores brancos. É isso. O Leo (Leonardo Dicaprio) tem um bom papel todos os anos. E o Jamie Foxx?”, questionou Chris Rock.

Já se falou do discurso de DiCaprio e do de Iñarritu. De assinalar ainda as palavras do músico Sam Smith, que recebeu o Óscar de Melhor Canção Original por “Writing’s On The Wall”, do filme “Spectre”. O cantor dedicou o prémio à comunidade LGBT, assumindo com "orgulho" a sua homossexualidade.

Ainda na música, o compositor italiano Ennio Morricone, de 87 anos, protagonizou outra das passagens da gala. Morricone tem uma carreira cujos números falam por si - trabalhou em mais de 500 filmes e programas de televisão - e foi nomeado cinco vezes para o Óscar de Melhor Banda Sonora Original entre 1979 e 2001, sem nunca ter vencido a estatueta. Porém, só agora, depois de em 2007 ter recebido o Óscar honorário, conseguiu levar para casa o prémio que lhe fugia há anos, pela banda sonora de "Os Oito Odiados", de Quentin Tarantino. Discursou em italiano, acompanhado por um tradutor, perante uma plateia que o recebeu com uma ovação de pé.

Quem também subiu ao palco foi o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. E nova ovação de pé. O governante introduziu a atuação de Lady Gaga, que cantou “Til It Happens to You", canção que faz parte da banda sonora do filme “Hunting Ground”, sobre abusos sexuais em escolas norte-americanas. A atuação de Lady Gaga emocionou o público e arrancou muitos aplausos.

Como habitualmente, a Academia assinalou as mortes que marcaram a indústria cinematográfica no último ano. Nomes tão sonantes como Christopher Lee, Alan Rickman ou Leonard Nimoy foram lembrados enquanto Dave Grohl tocava "Blackbird", uma música dos Beatles que serviu de pano de fundo a esta homenagem.

Antes do arranque da cerimónia propriamente dita, o espetáculo da passadeira vermelha. Hollywood parou para o desfile de celebridades, que espalhou as doses habituais de glamour e sofisticação. 

 

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