A realizadora belga Chantal Akerman morreu na segunda-feira em Paris aos 65 anos, deixando uma obra "incandescente, pioneira e nómada", revelou o jornal Le Monde.

Autora de filmes como "A cativa", "Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles" e "Os encontros de Anna", Chantal Akerman nasceu em Bruxelas em 1950 e iniciou carreira nos anos 1960; um percurso marcado pelo experimentalismo, pelo cruzamento entre ficção e documentário, pelas questões da memória, religião e condição feminina.

A obra da realizadora esteve em retrospetiva em 2012 na Cinemateca, no âmbito do DocLisboa. Este ano o festival estreará o mais recente filme de Chantal Akerman, o documentário "No home movie", sobre a mãe, sobrevivente do Holocausto.

O festival exibirá ainda o filme "I Don’t belong anywhere – Le cinéma de Chantal Akerman", de Marianne Lambert, sobre a cineasta.

Em 2012, quando foi feita a retrospetiva em Lisboa, a Cinemateca escrevia que Chantal Akerman "é uma das grandes continuadoras do cinema moderno, conciliando pólos como a inventividade de Jean-Luc Godard, um dos cineastas que mais admira, a rudeza e pureza formal do trabalho de Michael Snow, e um interesse muito particular por questões de ordem narrativa".

"A sua obra atravessa múltiplos territórios para refletir conjuntamente sobre a sua vida e a sua história (e sobre a história do povo judaico), sobre a história dos excluídos e dos exilados, mas também sobre a história do cinema, e sobre o modo como este se relaciona com a realidade e com o seu espectador", afirmava a Cinemateca.

A notícia da morte foi dada pelo produtor Patrick Quinet, mas não foram adiantadas as causas. Segundo a agência France Press, a realizadora sofria de perturbações maníaco-depressivas. A imprensa francesa afirma que se suicidou.