O filme “O Renascido”, de Alejandro Gonzalez Iñárritu, parte com o estatuto de favorito para a cerimónia de entrega dos Óscares, que ocorre este domingo. O prémio para melhor filme é sempre o mais aguardado da noite, mas este ano haverá outro momento a despertar igual (senão maior) curiosidade: a atribuição do Óscar de Melhor Ator, que é como quem diz, saber se Leonardo DiCaprio levará, ao fim de cinco nomeações, a tão desejada estatueta dourada para casa.

Poderá falar-se em surpresa se “O Renascido”, um filme sobre a história de sobrevivência do caçador Hugh Glass nas terras indígenas da América do século XIX, não sair como o grande vencedor da 88ª cerimónia dos Óscares. Por dois motivos: desde logo porque é o filme mais nomeado (12 nomeações no total) e depois porque é o que tem arrebatado mais prémios.

Ganhou o Globo de Ouro para Melhor Filme de Drama, ganhou o Bafta para Melhor Filme e Iñárritu ainda foi distinguido pela Guilda dos Realizadores. Isto sem esquecer que o desempenho de Leonardo DiCaprio, protagonista da trama, foi premiado nos Globos, nos Bafta e nos prémios do sindicato de atores, os SAG.

Os números estão a favor de Iñárritu. O realizador mexicano arrisca-se, assim, a repetir o feito de 2015, ano em que o seu “Birdman” voou mais alto que os restantes filmes candidatos, conquistando os prémios de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento Original e Melhor Direção de Fotografia.

Agora, Iñárritu sabe que não ganhará o Óscar de Melhor Argumento Original - pois não está nomeado -, mas quanto às outras três categorias, as probabilidades parecem estar do seu lado. E há mais nomeações: Melhor Ator Secundário (Tom Hardy), Melhor Montagem, Melhor Guarda-roupa, Melhor Design de Produção, Melhor Mistura de Som, Melhor Montagem de Som, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Caracterização e Cabelo

A soma das probabilidades tem o seu peso, mas o fator surpresa pode baralhar as contas. Até porque, na crítica especializada, há quem veja muitas semelhanças entre este último trabalho de Iñárritu e o estilo de realizadores como Terrence Malick ou Werner Herzog.

A concorrência quer surpreender: "Mad Max: A Estrada da Fúria", de George Miller, tem dez nomeações, "Perdido em Marte", de Ridley Scott, tem sete nomeações, "A Ponte dos Espiões", de Steven Spielberg e "O Caso Spotlight", de Tom McCarthy, têm seis nomeações, “A Queda de Wall Street”, de Adam McKay, cinco nomeações, "Quarto", de Lenny Abrahamson, quatro nomeações e “Brooklyn”, de John Crowley, três nomeações.

 

 

Melhor Ator: será desta, DiCaprio?

Outros números são os que constam no currículo de Leonardo Dicaprio: cinco nomeações (quatro para Melhor Ator, uma para Melhor Ator Secundário), zero Óscares. A estatueta dourada foge às mão do ator de “Departed” ou “O Aviador”  há vários anos. E se os fãs querem ver DiCaprio premiado, o desejo é partilhado por muitos críticos e profissionais da indústria.

Vencedor nos Globos, nos Bafta e nos prémios do sindicato de atores, a pergunta que se impõe é: será desta, DiCaprio? O momento é esperado com expetativa. No ano passado, depois de o ator ter falhado mais uma vez a conquista do prémio - estava nomeado por “O Lobo de Wall Street” -, as reações nas redes sociais multiplicaram-se. Críticas à Academia, elogios a DiCaprio, muitas piadas e até montagens em jeito de paródia. 

Mas a vitória não está garantida e na mesma categoria há nomeados de luxo, com destaque para Eddie Redmayne, que interpreta a primeira transexual do mundo em “A Rapariga Dinamarquesa” e que foi o vencedor do Óscar de Melhor Ator no ano passado, e Bryan Cranston, pelo seu papel como o famoso argumentista Dalton Trumbo. Há ainda Michael Fassbender que deu vida ao fundador da Apple, Steve Jobs, e Matt Damon, que interpretou o astronauta que ficou “Perdido em Marte”.

 

Melhor Atriz: a muito favorita Brie Larson 

Já na categoria de Melhor Atriz a maioria das apostas vai para Brie Larson, pelo seu desempenho em “Quarto” - a história de uma jovem refém que foi raptada na adolescência e que vive presa, com o filho, num pequeno "quarto" fechado, isolado do mundo.

Este papel já lhe valeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama, o Bafta para Melhor Atriz e o prémio do sindicato de atores. Razões pelas quais os especialistas acreditam que as restantes nomeadas, Cate Blanchett ("Carol"), Saiorse Ronan ("Brooklyn"), Jennifer Lawrence ("Joy") ou Charlotte Rampling ("45 anos") terão fracas possibilidades de conquistar a estatueta.

 

 

Melhor Atriz Secundária: a experiência vs a promessa

Na categoria de Melhor Atriz Secundária as opiniões dividem-se entre duas atrizes, a britânica Kate Winslet ("Steve Jobs") e a sueca Alicia Vikander ("A Rapariga Dinamarquesa").

A experiente Kate Winslet parece ter alguma vantagem, uma vez que venceu o Globo de Ouro e o Bafta. Ela que está nomeada para os Óscares pela sétima vez e que já venceu o Óscar de Melhor Atriz pelo fime “O Leitor”, em 2009.

Já Alicia Vikander começou a dar nas vistas em "Anna Karenina", em 2012, mas foi em 2015 que concentrou todas as atenções com os filmes "Ex-Machina" e "A Rapariga Dinamarquesa". O seu papel no filme de Tom Hooper tem merecido elogios da crítica e valeu-lhe o prémio do sindicato de atores.

 

Melhor Ator Secundário: tudo em aberto

Quanto ao Óscar de Melhor Ator Secundário não é clara a distribuição de forças entre os vários candidatos: Silvester Stallone ("Creed"), Mark Rylance ("A Ponte dos Espiões"), Tom Hardy ("O Renascido"), Mark Ruffalo ("Spotlight"), Christian Bale ("A Queda de Wall Street")

Stallone ganhou o Globo de Ouro e Rylance levou o Bafta para casa, pelo que podem levar alguma vantagem. O sindicato de atores preferiu premiar Idris Elba, que ficou de fora da corrida. Mas também há quem aposte em Tom Hardy, por exemplo. É caso para dizer que nesta categoria parece estar tudo em aberto.

Os dados estão lançados. Chris Rock será o anfitrião de um espectáculo mediático que vai para além dos prémios propriamente ditos. No Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia, a noite promete sofisticação e glamour. E você, já fez as suas apostas?