A produção "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" poderá marcar os próximos anos no West End londrino, o famoso bairro dos teatros em Londres, acredita o ator português membro do elenco, Nuno Silva.

A crítica especializada britânica tem sido unânime nos elogios e atribuído quatro e cinco estrelas ao espetáculo, que está em cena no Palace Theatre desde o fim de julho e tem lotação esgotada até dezembro de 2017.

"A qualidade técnica faz parece que as coisas são fáceis de fazer mas são dificílimas. Mas elas acontecem e parece que são fáceis", contou à agência Lusa.

As "coisas" de que Nuno Silva fala são pequenos truques e artifícios que reproduzem a magia descrita nos livros e observada nos filmes sobre as aventuras do jovem feiticeiro Harry Potter.

Nesta sequela, o feiticeiro é adulto, casado e com três filhos e trabalha no Ministério da Magia e conta a história de 19 anos depois do último livro da série, "Harry Potter e os Talismãs da Morte".

O texto é baseado num original da autora dos livros, JK Rowling, mas a peça foi escrita por Jack Thorne, tendo como protagonistas Jamie Parker, Noma Dumezweni e Paul Thornily e como encenador John Tiffany.

Vinculado à confidencialidade imposta aos colaboradores para não desvendar os "segredos" da peça, Nuno Silva não revela pormenores sobre os bastidores nem identifica a personagem que interpreta em palco.

Porém, fala do "gozo" que tem em participar na produção, onde tem outras funções de bastidores, como fazer acontecer ao vivo os "truques de magia" que fazem parte do enredo.

"Nos livros há os House Elves, aqui todos nós temos de fazer coisas. Em todas as cenas há sempre uma miríade de coisas que têm de ser feitas para o bem da história e para o bem das cenas, as transições de uma cena para outra. Eu faço parte desse grupo que assiste ao contar da história", desvendou.

Mas o que lhe ocupa grande parte do tempo, afirmou à Lusa, é o cargo de "mouvement captain" [líder de movimento], que é responsável por dirigir ensaios e aquecimentos para que toda o movimento em palco seja fluído e eficaz.

Aos membros do elenco desta produção, vincou, não cabe "só debitar, toda a gente tem de fazer coisas em palco e de determinada maneira. Eu tenho de os ensaiar, tenho manter o rigor da qualidade da coreografia".

Em ensaios desde fevereiro, o espetáculo é descrito por Nuno Silva como "ambicioso", mas que assenta num princípio, o de "contar uma história de forma metódica e genuína".

O diário britânico Daily Telegraph foi uma das publicações britânicas que atribuiu cinco estrelas, justificando o crítico Dominic Cavendish: "O teatro britânico não vê algo assim há décadas e eu não assisti a nada diretamente comparável a minha carreira de crítico".

No The Times, que deu uma classificação de quatro estrelas e 3/4 [uma referência à plataforma de comboio nove e três quartos que dá acesso à Escola Hogwarts de Magia], o espetáculo é "fora deste mundo".

Apesar da complexidade da trama, Ann Treneman elogia a história e a encenação: "Não é o filme do livro. É autêntico, ao vivo à nossa frente, muito melhor do que qualquer filme podia ser".

O espetáculo está dividido em duas partes que duram, juntas, perto de cinco horas.

O público não só tem esgotado no mesmo dia todos os bilhetes colocados à venda como tem respeitado o pedido para manterem segredo sobre "as surpresas" da história.

Nuno Silva vive no Reino Unido desde 1997, onde tem construído uma carreira como bailarino, ator, coreógrafo e cantor tanto em dança como teatro e ópera.

"Adoro fazer parte do espetáculo", afirmou à Lusa o artista português, que concordou com os críticos nas previsões de longevidade: "Eu acho que que poderá marcar o West End nos próximos anos".