O filme "Behemoth", de Zhao Liang, que retrata a exploração de emigrantes da Mongólia, venceu a segunda edição do Prémio Jean Loup Passek do Festival Internacional de Documentário de Melgaço, na categoria de melhor longa-metragem internacional.

Em comunicado de hoje, a organização adiantou que o júri destacou "a relevância do tema e o registo estético e ético, com a apresentação de uma problemática social assente em relevantes qualidades formais das imagens, sons e montagem”.

A longa-metragem descreve "as condições de trabalho sub-humanas dos emigrantes da Mongólia para alimentar a moderna e agressiva economia da China".

Segundo a organização do evento, o júri, composto por Manuela Penafria, Margarida Cardoso, Renato Athias, Tiago Afonso e Xurxo Chirro, considerou que "o filme coloca a arte numa relação direta não apenas com a vida tal qual ela é mas, sobretudo, com a sua transformação a partir de valores que dignificam o ser humano".

 

 

Já na categoria de curta ou média-metragem, o filme "Women in Sink" (Reino Unido/Israel), da realizadora Iris Zaki venceu o prémio internacional.

O júri "destacou a originalidade do dispositivo fílmico que permitiu à realizadora uma narrativa envolvente e risível, à medida que nos revela um mundo em conflito".

O prémio de melhor documentário português foi atribuído "A Toca do Lobo" de Catarina Mourão, por revelar "um universo pessoal e íntimo, através de uma abordagem cinemática e poética, ao mesmo tempo que apresenta uma reflexão profunda sobre tempo e memória".

O prémio para a melhor longa-metragem internacional é de três mil euros, para as médias e curtas-metragens internacionais de 1.500 euros e melhor documentário português recebeu um prémio de mil euros.

A terceira edição do Festival Internacional de Documentário Filmes do Homem encerrou, no domingo, com a projeção ao ar-livre de "Volta à Terra", de João Pedro Plácido.

 

 

Durante seis dias do evento foram projetados "quase quatro dezenas de filmes, 27 dos quais no âmbito do prémio Jean Loup Passek", sendo que 19 realizadores oriundos da Austrália, Israel, Irão, Alemanha, Inglaterra, França, Espanha e Portugal, marcaram presença no evento.

As exposições "Commercio", de João Gigante, "Um lugar chamado diáspora", de Andreia Alves de Oliveira, e "Padrão", de Bruna Prazeres, inauguradas no âmbito do festival, estão patentes até setembro na Casa da Cultura de Melgaço.

O festival é organizado pela Câmara de Melgaço em parceria com a Associação de Produção e Animação Audiovisual - AO NORTE.

O evento pretende "promover e divulgar o cinema etnográfico e social, refletir sobre identidade, memória e fronteira e contribuir para um arquivo audiovisual sobre a região".