O arquivo privado do ator britânico Michael Palin contém dezenas de ideias dos Monty Python para rábulas nunca filmadas, duas delas específicas para o filme “Monty Python e o Cálice Sagrado”, revela esta quarta-feira a imprensa britânica.

Segundo o jornal The Times, no ano passado, Michael Palin, um dos seis Monty Python, cedeu o arquivo pessoal de mais de 50 cadernos à Biblioteca Britânica, que está a catalogar os documentos antes de os disponibilizar aos utilizadores, incluindo através de uma exposição de alguns dos papéis, que deverá abrir no dia 07 de agosto.

Os dois momentos que acabaram por não ser filmados para o “Cálice Sagrado” consistem numa rábula com uma livraria no Velho Oeste e outra com um Cavaleiro Cor de Rosa, tendo esta última sido substituída pela cena entre o rei Artur e o Cavaleiro Negro, que vai perdendo membros ao longo da disputa até só sobrar a cabeça.

Finais diferentes

Quer o “Cálice Sagrado” quer “A Vida de Brian” poderiam ter finais diferentes, segundo os documentos vistos pelo Times, que escreve que, “em ambos os casos, o grupo cortou material que teria causado controvérsia na altura e é arriscado ainda hoje”.

O ‘sketch’ do Velho Oeste mostra um homem, no deserto, à procura de uma bebida num ‘saloon’, que se revela, afinal, uma livraria.

Não há bebidas aqui, senhor. Isto é uma livraria”, afirma o barman, antes de acrescentar, perante a indignação do potencial cliente, que é a última livraria antes do México e que bares só no Canadá, uma vez que o entreposto índio deixou de vender bebidas desde que se especializou em Autores Europeus Modernos.

Palin disse ter pouca memória das duas cenas, e salientou que eram da autoria de Terry Jones, que sofre de demência e cuja família aprovou a divulgação dos rascunhos.

Às vezes há coisas assim. Não consigo pensar no porquê de não terem sido usados. ‘O Cálice Sagrado’ tomou forma gradualmente e, no começo, tinha muito mais ideias do que acabou a ter no ecrã, porque tinhas de ter uma narrativa. No final, a história dos cavaleiros era forte o suficiente”, afirmou Michael Palin ao Times.

Nas décadas de 1960 e 70, Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones formaram os Monty Python, um dos coletivos de comédia mais bem-sucedidos de todos os tempos, a nível mundial.

Além da série televisiva que criaram, fizeram vários filmes, incluindo “O sentido da vida” (1983), dirigido por Terry Jones, que venceu o grande prémio do júri no Festival de Cinema de Cannes.

O Times promete para quinta-feira a divulgação das cenas nunca filmadas em “A Vida de Brian”, filme polémico por retratar um homem que é tomado por Jesus Cristo.