O Ministério Público (MP) arquivou “por falta de provas” o inquérito à cooperativa Cinema Novo, que organiza o Fantasporto e cujos dirigentes foram em 2013 acusados de ilegalidades no festival, divulgaram esta quinta-feira os responsáveis daquela cooperativa.

Com o arquivamento do inquérito pelo MP, que ocorreu em maio mas só hoje foi conhecido, caíram também os processos na Autoridade Tributária, Segurança Social e entidade reguladora das cooperativas (CASES).

“É a altura de dizer que foi tudo uma ficção e que o festival está bem e recomenda-se”, afirmou à Lusa Beatriz Pacheco Pereira que, com Mário Dorminsky, dirige a cooperativa Cinema Novo, responsável pela organização do Fantas.

Em setembro de 2013 os dois foram alvo de uma denúncia anónima de ilegalidades na organização do festival, nomeadamente fuga ao IVA na venda de bilhetes e falsificação de número de espectadores, que chegou aos meios de comunicação e levou o Ministério Público a abrir um inquérito.

“Recentemente, e após aturado processo de investigação e cuidadas auditorias, foi decidido o arquivamento das acusações formuladas na denúncia”, refere comunicado dos dirigentes hoje enviado à Lusa.


No documento, indicam que “dois anos depois o Ministério Público arquiva por falta de provas [o] inquérito à Cinema Novo, Fantasporto e aos seus responsáveis”, lembrando que o caso surgiu de uma “denúncia anónima” feita ao Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) que chegou aos meios de comunicação em 2013 “em plena campanha eleitoral para as autárquicas”.

Foi então, diz Beatriz Pacheco Pereira, lançada uma “campanha negra” contra os fundadores do Fantasporto (…) que apoiavam então uma das candidaturas à Câmara do Porto”.

Os fundadores da Cinema Novo apoiaram Luís Filipe Menezes na sua candidatura à presidência da Câmara do Porto nas eleições autárquicas de 2013.

Segundo a dirigente, o ICA já garantiu o apoio ao festival até 2017 e a Câmara do Porto mantém o seu apoio de 25 mil euros para a próxima edição de 2016, que decorrerá entre os dias 26 de fevereiro e 05 de março e terá a “música” como tema orientador.

“Para o público isto é um assunto morto. É a altura de dizer que foi tudo uma invenção”, realçou a responsável, já a preparar o 36.º Fantasporto, que até ao momento recebeu cerca de 600 propostas de filmes.

Para os dois dirigentes, “este arquivamento veio confirmar a justeza” dos protestos que então fizeram através de comunicados “rebatendo as acusações, repondo a verdade dos factos e protegendo a imagem do Fantasporto”.

Para o próximo ano o festival de cinema fantástico terá um “júri jovem”, com idade entre os 18 e os 30 anos, estando o Fantasporto a convidar os interessados a escrever uma história fantástica que, se escolhida, será publicada no catálogo oficial.

Também para 2016 está previsto homenagear o ator britânico Christopher Lee e apresentar a obra do realizador da Macedónia Milcho Manchevski.