O Presidente da República recordou o realizador José Fonseca e Costa, hoje falecido, como um “defensor dos ideais da liberdade e da democracia”.

Na mensagem de condolências que enviou à família do realizador de cinema, Aníbal Cavaco Silva afirmou que, “ao longo de várias décadas, José Fonseca e Costa distinguiu-se como um dos mais criativos e talentosos realizadores portugueses”.

“Obras como Kilas, o Mau da Fita, Cinco Dias, Cinco Noites ou Balada da Praia dos Cães são marcos do cinema português do século XX e conquistaram, muito justamente, o aplauso da crítica e do público”, prossegue a missiva.
 

Para o chefe de Estado, José Fonseca e Costa foi um “defensor dos ideais da liberdade e da democracia”, um “oposicionista à ditadura e cedo se destacou como um dos grandes nomes do movimento do Novo Cinema”.


“Os seus trabalhos tiveram grande sucesso e valeram-lhe, ainda recentemente, a merecida atribuição do Prémio Carreira da Academia Portuguesa de Cinema”, lembra Cavaco Silva.

O realizador José Fonseca e Costa faleceu hoje no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, aos 82 anos.
 

António Pedro Vasconcelos recorda "lutador" que foi vítima do "sistema"


O realizador António Pedro Vasconcelos recorda José Fonseca e Costa como “um lutador”, que “sempre se bateu contra o sistema perverso do financiamento do cinema em Portugal”, de que foi “uma vítima”.

“Fica uma mágoa muito grande por ter perdido um amigo e um criador sem ter feito tudo o que podia ter feito”, declarou à Lusa António Pedro Vasconcelos, referindo que o último filme de Fonseca e Costa é de 2006, Viúva Solteira Não Fica, e que, antes disso, tinha estado cinco anos sem gravar, porque “há 20 anos chumbavam sucessivamente os seus projetos”.

António Pedro Vasconcelos sublinha que “em 50 anos, Fonseca e Costa fez dez filmes, porque os seus projetos eram sempre chumbados”.

Em declarações à Lusa, António Pedro Vasconcelos lamentou ainda que Fonseca e Costa não tenha conseguido acabar de filmar o seu último filme “Axilas”, que “por um golpe de sorte” recebeu luz verde do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual.
 

“É uma das pessoas com quem mais me identifico. Sempre a refilar, revoltado contra o sistema, mas muito divertido e com muito humor”, um “humor quase negro”, que passava para os seus filmes, recordou.


António Pedro Vasconcelos lembrou ainda que o realizador “sempre se bateu pela ideia de que o cinema era a arte de contar histórias com imagens e som, contra a tendência a que se assistiu em Portugal desde a década de 80 de que o cinema não tinha que contar histórias”.
 

"Personalidade interveniente na cena cultural"


Também a Ministra da Cultura, Igualdade e Cidadania, Teresa Morais, expressou hoje pesar pela morte do realizador José Fonseca e Costa, que recordou como “personalidade interveniente na cena cultural portuguesa”.
 

“Crítico cinematográfico, tradutor, realizador de documentários vários, José Fonseca e Costa será sempre reconhecido como o realizador de um conjunto de filmes icónicos e de geração que marcaram a produção cinematográfica nacional”


Entre os vários filmes de José Fonseca e Costa, a ministra recordou “Kilas, o Mau da Fita - um dos seus maiores êxitos - Sem Sombra de Pecado, Balada da Praia dos Cães, Cinco Dias, Cinco Noites e, mais recentemente, Os Mistérios de Lisboa”.

“José Fonseca e Costa destacou-se ainda como personalidade interveniente na cena cultural portuguesa, quer pelas posições assumidas, quer como dirigente do Centro Português de Cinema e da Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais”, prossegue a nota.