É o escândalo que está a abalar Hollywood. Harvey Weinstein, produtor de cinema, é acusado de assédio e chantagem sexual durante 30 anos a várias atrizes, modelos e assistentes, e a polícia dos EUA e do Reino Unido já anunciou que vai investigar as acusações feitas a Weinstein.

Segundo a BBC, o departamento de polícia de Nova Iorque está a investigar uma acusação de 2004 e a investigar se há outras queixas contra o produtor. As autoridades estão agora a tentar falar com a pessoa que apresentou a queixa há 13 anos.

Com base na informação publicada nos relatórios públicos e notícias, a polícia de Nova Iorque está a conduzir uma investigação para determinar se há mais queixas relativas às ações de Harvey Weinstein. Até ao momento, ainda não foram identificada nenhuma queixa arquivada", revelou o comissário assistente J Peter Donald, deixando ainda o pedido para que quem tenha informações entre em contacto com as autoridades.

Já a polícia metropolitana de Londres está a investigar a queixa de violação na área de Londres, nos anos 80, apresentada à polícia de Merseyside. Este departamento já confirmou que recebeu "às 8:40 de quarta-feira (11 de outubro)" uma queixa "sobre uma suposta violação na área de Londres nos anos 80".

As investigações acontecem numa altura em que dezenas de atrizes revelam que foram alvo de assédio e chantagem sexual pelo produtor de cinema, entre elas atrizes com Kate Beckinsale, Angelina Jolie e Gwyneth Paltwrow. (Veja na galeria as atrizes que dizem ter sido assediadas pelo produtor).

Kate Beckinsale publicou, esta quinta-feira, um texto no Instagram onde conta que, quando tinha 17 anos, Weinstein a recebeu para uma entrevista no seu quarto de hotel em roupão.

"Eu era incrivelmente ingénua e jovem e não me passou pela cabeça que este homem velho, que não é atraente, esperasse que eu tivesse algum interesse sexual nele. Depois de recusar álcool e de anunciar que tinha escola de manhã, saí desconfortável, mas ilesa. Uns anos depois ele perguntou-me se tinha tentado algo comigo e eu percebi que ele não se lembrava se me tinha assediado ou não".

Segundo um artigo de investigação do The New York Times, as queixas de assédio sexual remontam à década de 1990, quando o magnata se encontrava à frente da produtora Miramax, um estúdio de cinema independente que era propriedade do gigante cinematográfico Walt Disney.

O esquema de Weinstein era simples e bastante repetido: o produtor marcava um almoço de trabalho num hotel, chamava a mulher ao quarto, aparecia-lhe apenas com um robe vestido e pedia-lhe uma massagem em troca da carreira pela qual a atriz, assistente ou modelo ansiava.

Em declarações ao TMZ, o produtor, de 65 anos, diz que "tem de ter ajuda". O mesmo portal, avança que Weinstein se encontra em tratamento numa clínica de reabilitação no Arizona.

Malta, não estou bem, mas estou a tentar. Tenho de ter ajuda. Estou a aguentar-me, a dar o meu melhor. Sempre fui fiel a vocês, fui uma boa pessoa", afirmou aos jornalistas enquanto saía de casa.

Esta quarta-feira, a mulher de Weinstein, Georgina Chapman, confirmou à revista People que vai deixar o produtor após dez anos de casamento, classificando como indesculpáveis as ações do marido, ao mesmo tempo que pede privacidade para si e para os dois filhos que tem com Weinstein.

Já a Academia Britânica de Cinema e Televisão (BAFTA) anunciou a suspensão imediata da sua associação ao produtor de Hollywood e já informou Weinstein da sua suspensão, "tendo em conta as alegações sérias mais recentes", que remetem para uma má conduta para com as atrizes norte-americanas Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie.

"Embora [a Academia Britânica] tenha beneficiado do apoio de Weinstein pelo seu trabalho de caridade, esta considera o seu suposto comportamento completamente inaceitável e incompatível com os valores [da organização]".

Por sua vez, a ex-candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, manifestou-se no Twitter ao afirmar que "o comportamento [de Weinstein] descrito por estas mulheres não pode ser tolerado".

Já Michelle e Barack Obama optaram por lançar um comunicado onde sublinharam que "qualquer homem que diminua as mulheres desta forma precisa de ser condenado e tido em conta, independentemente da riqueza e estatuto [dos acusados] (...) É necessário construir uma cultura (...) que torne tais comportamentos menos predominantes no futuro".