Desde que o ator norte-americano Charlie Sheen revelou a sua seropositividade, em novembro, o número de pesquisas na internet sobre a sida e a prevenção da doença atingiu um recorde, segundo um estudo hoje publicado.

“Esta revelação foi provavelmente a ação de prevenção pública contra a sida mais significativa alguma vez feita nos Estados Unidos”, indicou Mark Dredze, investigador da Universidade Johns Hopkins.

Para este estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), os investigadores examinaram em detalhe a cobertura mediática e as consultas no motor de busca Google nos Estados Unidos contendo a sigla “VIH” durante as horas seguintes ao anúncio do ator.

Foi registado o maior número de sempre de pesquisas sobre a sida no Google, nos Estados Unidos, num só dia: cerca de 2,75 milhões mais do que a tendência antes da divulgação. As pesquisas foram mais do que cinco vezes superiores (+ 417 por cento).

As pesquisas contendo os termos “comprar preservativos” e “despistagem do HIV” subiram 540% e 214%, respetivamente, mantendo-se elevadas durante três dias, acrescentaram os investigadores.

Por outro lado, 6.500 artigos sobre o tema foram publicados, só no Google News.

O número de artigos de imprensa, de informações televisivas e na rádio nacional mencionando o HIV aumentou 265% em relação à média e 97% mencionando também o nome do controverso ator, segundo os arquivos do Terminal Bloomberg.

“Ao fim de mais de três décadas, as autoridades de saúde americanas difundem as mesmas mensagens sobre o HIV, ou seja, fazer o teste, conhecer os sintomas e usar preservativos”, sublinhou Jonh Ayers, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de San Diego (Califórnia).

“Estas mensagens estão tão arreigadas que quando o público entendeu a revelação de Charlie Sheenm um grande número de pessoas começou a pesquisar informações sobre a despistagem, os sintomas e os preservativos”, acrescentou o especialista.