"Os Humores Artificiais", de Gabriel Abrantes, "Spell Reel", de Filipa César, e "A Fábrica de Nada", de Pedro Pinho, foram selecionados para o Festival de Cinema de Londres, que decorre entre 4 e 15 de outubro.

"Os Humores Artificiais", de Gabriel Abrantes, foi selecionado para a competição de curtas-metragens, sendo a obra de 29 minutos de duração descrita no programa como um "conto de fadas pós-moderno no cruzamento entre a antropologia e a inteligência artificial".

Na categoria Experimenta do festival foi incluído "Spell Reel", a primeira longa-metragem da cineasta portuguesa Filipa César, que foi exibida no Museu de Arte Contemporânea de Nova Iorque (MoMA) em junho e que se estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Para a categoria Dare, que junta filmes irreverentes, foi selecionado "A Fábrica de Nada", de Pedro Pinho, que estreia nas salas de cinema portuguesas a 21 de setembro.

Paixão por um robô

“Os Humores Artificiais”, filmado no estado brasileiro do Mato Grosso, em Canarana e nas aldeias Yawalapiti e Kamayura dentro do Parque Indígena do Xingu, e em São Paulo, conta a história de uma jovem indígena do Amazonas que se apaixona por um robô que é também um comediante.

O filme foi distinguido em fevereiro no Festival de Berlim ao receber a nomeação do júri internacional para o prémio de melhor curta-metragem europeia de 2017 nos European Film Awards, que serão entregues a 9 de dezembro na mesma cidade alemã pela Academia Europeia de Cinema.

Independência da Guiné-Bissau

Por seu lado, “Spell Reel” usa imagens de arquivo da guerra da independência da Guiné-Bissau, para explorar como estes registos influenciam a criação e legado da história de um país.

Filipa César recorre a cinema revolucionário, do acervo do Instituto Nacional de Cinema e Audiovisual da Guiné-Bissau (INCA), cuja recuperação foi possibilitada pelo instituto alemão Arsenal.

Fazem parte do arquivo o trabalho dos cineastas Sana Na N'Hada, Flora Gomes, José Bolama Cobumba e Josefina Crato, que estudaram cinema em Cuba, por iniciativa do líder da independência da Guiné-Bissau, Amílcar Cabral, e filmaram a guerra da independência e os primeiros anos de governação socialista.

Segundo o sumário do programa do Festival de Londres, esta longa-metragem "é uma reflexão poderosa sobre o papel do cinema na criação e legado da história política e identidade nacional da África Ocidental".

Cannes e Munique

Já “A Fábrica de Nada”, com três horas de duração, é interpretado por atores e não atores e segue a vida de um grupo de operários que tentam segurar os postos de trabalho, através de uma solução de autogestão coletiva, e evitar, assim, o encerramento de uma fábrica.

Vibrante, criativo e intenso", foi como o crítico britânico Jonathan Romney apreciou o filme, que "transporta de forma divertida a tradição do cinema ‘agitprop' para o século XXI".

Vencedor em maio no Festival de Cannes do Prémio Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, a que se seguiu o prémio CineVision, em junho, em Munique, para melhor novo filme, a longa-metragem está também entre os 51 pré-selecionados de 31 países para os prémios da Academia Europeia de Cinema.

Pedro Pinho assina a realização, mas o filme de ficção foi construído em conjunto com Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, a partir de uma ideia de Jorge Silva Melo e da peça de teatro "A fábrica de nada", de Judith Herzberg.

Ao todo, serão exibidos no Festival de Cinema de Londres 243 filmes de 67 países.

"Breathe", a longa-metragem que assinala a estreia como realizador do ator Andy Serkis, conhecido pela participação na trilogia de "Os Senhores dos Anéis" abre o evento.

Entre os filmes em destaque estão também "Battle of the Sexes," corealizado por Jonathan Dayton e Valerie Faris e protagonizado por Emma Stone e Steve Carell, "The Shape of Water", de Guillermo del Toro, "Downsizing", de Alexander Payne, e "The Killing of a Sacred Deer", de Yorgos Lanthimos.