Uma exposição dedicada à obra da crítica de arte e feminista italiana Carla Lonzi, e ao impacto do seu legado em artistas contemporâneas, é hoje inaugurada no Museu da Eletricidade, em Lisboa, no âmbito do DocLisboa.

Com curadoria de Anna Daneri e Giovanna Zapperi, a exposição reúne trabalhos e documentos relacionados com a figura e os escritos de Carla Lonzi (1931 – 1982), uma feminista que chocou a Itália nos anos de 1960 e 1970, com os seus textos e ativismo.

"Suite Rivolta – o feminismo de Carla Lonzi e a arte da revolta" é o nome da exposição que integra a edição deste ano do Programa Passagens do DocLisboa.
 

Para as curadoras, "as ideias de Lonzi sobre a criatividade, sexualidade e política têm grande eco em algumas das questões mais urgentes da arte e do feminismo na atualidade, e a exposição apresenta trabalhos que vêm reconsiderar o seu legado, pelo seu potencial transformador".


Giovanna Zapperi, uma das curadoras, disse à Lusa que "Carla Lonzi trabalhou em crítica de arte, mas a dada altura rompeu com a profissão e começou a escrever e a distribuir textos muito fortes sobre a mulher, a sua condição, a sexualidade e o prazer feminino".
 

"Teve um impacto enorme e foi uma revolucionária nessa época na forma de abordar o corpo feminino e as ideias políticas", disse ainda a curadora.


Suzanne Santoro, Cabello/Carceller, Claire Fontaine, Chiara Fumai, Silvia Giambrone e Valentina Miorandi são as artistas que abordam as ideias de Carla Lonzi e as reativam nesta exposição.

As obras da exposição são apresentadas em vídeo, performance sonora, instalação, escultura e em livro, ficando patentes ao público até 06 de dezembro, na sala Curto-Circuito, no Museu da Eletricidade, com entrada livre.

A mostra realiza-se no âmbito da 13.ª edição do DocLisboa, que vai decorrer de 22 de outubro a 01 de novembro, em vários espaços da capital.

No Museu da Eletricidade é também inaugurada hoje a exposição "Julião Sarmento - Afinidades Eletivas", com 300 obras da coleção particular do artista, e, no espaço Cinzeiro 8, abre igualmente a exposição de fotografia de José Pedro Cortes, "One´s Own Arena", com imagens captadas no Japão.

Nesta mostra, José Pedro Cortes, nascido em 1976, retrata, pela primeira vez, os limites e a tensão da relação masculino/feminino, aprofundando igualmente o estudo dos espaços interiores onde insere os modelos, os objetos e os seus materiais.