Barba rija, durão, insensível e tudo o mais que carateriza grande parte das personagens dos seus filmes pode servir para definir Clint Eastwood. Como há quatro anos, o ator e realizador de 86 anos volta a intervir no debate político das presidenciais norte-americanas. Uma vez mais, a combater pelo lado Republicano, desta vez a apoiar Donald Trump. E sempre com toda a artilharia que tem à mão.

Ele está a conseguir porque secretamente toda a gente está farta do politicamente correto”, afirmou Eastwood numa entrevista à revista Esquire, sem poupar a atual sociedade norte-americana.

É uma geração lambe-botas aquela em que estamos. Vivemos mesmo numa geração de mariquinhas. Toda a gente anda a pisar ovos”, acrescentou o realizador, que já conquistou quatro Óscares do cinema, com filmes como “Imperdoável” (Unforgiven), de 1992 e Million Dollar Baby, de 2004.

Antes Trump que continuar Obama

Clint Eastwood é conhecido por apoiar os Republicanos norte-americanos. Há quatro anos, interveio mesmo na convenção do partido, em Tampa, na Florida, na campanha que pretendia eleger Mitt Romney contra Obama, “o homem a abater”. Mesmo que agora, Trump tenha dito “uma carrada de coisas estúpidas”, é preferível a Hillary, como referiu à Esquire.

É uma escolha difícil, não é? Mas vou pelo Trump… Sabe, porque ela disse que ia seguir a peugadas de Obama”, afirmou o realizador.

Entre os desacertos de Trump, na análise de Weastwood, estão algumas tiradas xenófobas e até racistas, no entender de muitos. Mas até aí, Clint acha que há sensibilidade em demasia.

Vemos pessoas a acusar outras de serem racistas e todo o tipo de coisas. Mas enquanto cresci, nenhuma dessas afirmações eram consideradas racistas”, sustentou Clint Eastwood.

Farto de ouvir políticos

Mesmo que Trump não seja um poço de virtudes, Eastwood acaba por preferi-lo à candidata Democrata, Hillary Clinton. Embora acabe por considerar que, em grande medida, o discurso político é todo farinha do mesmo saco.

Ou seja, o realizador assume na entrevista à Esquire que os políticos basicamente o põem a dormir, porque “aborrecem toda a gente”.

Chesty Puller, um grande general da Marinha, disse uma vez: podem governar-me, podem matar-me à fome, podem bater-me, podem matar-me, mas não me chateiem. E é exatamente o que está a acontecer agora: toda a gente está a chatear toda a gente. É chato ouvir toda esta porcaria. É chato ouvir todos estes candidatos”, palavras de Clint Eastwood.