O realizador Sérgio Tréfaut estreia esta terça-feira, no festival IndieLisboa, o filme "Treblinka", no qual aborda a representação do horror do Holocausto, recorrendo sobretudo à voz e à palavra, por oposição a uma banalização da imagem.

"Treblinka", um dos quatro filmes da competição nacional de longas-metragens do festival IndieLisboa, foi rodado quase na íntegra a bordo de comboios, entre a Rússia, a Ucrânia e a Polónia, para lembrar que foi de comboio que os judeus foram levados para os campos de concentração e extermínio, durante a II Guerra Mundial.

É em viagem que este filme acontece, com a participação de um pequeno grupo de atores, entre os quais Isabel Ruth e Kirill Kashlikov, e onde prevalece sobretudo o texto, dito e ilustrado pelo reflexo deles nas janelas do comboio, como se fossem fantasmas de todas as vítimas.

"O horror está no texto e não na imagem, porque a imagem do horror se banalizou. O filme remete para a questão de como representar o horror", contou Sérgio Tréfaut à agência Lusa.

Para o filme, uma obra em aberto, que foi sendo construída ao longo de três anos, Sérgio Tréfaut cruzou depoimentos e leituras sobre o Holocausto, nomeadamente o livro de memórias "Je suis le dernier juif", de Chil Rajchman.

"Treblinka" começou por ser um projeto de documentário sobre uma sobrevivente do Holocausto, a realizadora francesa Marceline Loridan-Ivens, hoje com 88 anos e viúva do documentarista Joris Ivens, mas acabou por se tornar num ‘filme-ensaio’ mais atual sobre horror e sobrevivência.

Sérgio Tréfaut sublinhou que o filme é uma homenagem a Marceline Loridan-Ivens, mas também podia ser aos refugiados do Ruanda ou da Síria. "É um universo atual de pessoas que trazem consigo aquilo que não podemos entender".

Atualmente a rodar uma adaptação de "Seara de vento", romance de Manuel da Fonseca, Tréfaut volta a estar em competição no IndieLisboa, o festival que o distinguiu em 2014 pelo documentário "Alentejo, Alentejo", e pelo documentário "Lisboetas", em 2004.

"Treblinka" é exibido hoje, às 21:30, e novamente no sábado, dia 30, às 17:15, sempre na Culturgest, em Lisboa

O 13.º IndieLisboa teve início há uma semana, no passado dia 20, e termina no domingo, 01 de maio.