O diretor de fotografia Abel Escoto morreu na sexta-feira aos 95 anos e o funeral realiza-se na terça-feira para o cemitério do Alto de São João, em Lisboa, disse à Lusa fonte da família.

Nascido em Águeda em 1919, Abel Escoto começou no cinema como técnico de som, no filme «Três Dias sem Deus» (1946), de Bárbara Virgínia, trocando depois o som pela imagem como operador de câmara, por exemplo, em «A morgadinha dos canaviais» (1949), de Caetano Bonucci e Amadeu Ferrari.

Estreou-se como diretor de fotografia em reportagens de atualidades --como a visita da Rainha Isabel II de Inglaterra a Portugal, em 1957 -, e na ficção filmou com Perdigão Queiroga («Os três da vida airada», 1952) e Ernesto de Sousa («Dom Roberto», 1962).

Até aos anos 1970, Abel Escoto trabalhou ainda com Manuel Guimarães, Augusto Fraga, António-Pedro Vasconcelos, Pedro Martins, Constantino Esteves, Alain Bornet ou Alberto Seixas Santos.

Em 1969 trabalhou com João César Monteiro em «Sophia de Mello Breyner Andresen» e em 1970 com Henrique Campos, no filme «A maluquinha de Arroios».

Foi com Manuel Guimarães, em «Cântico Final», em 1975, que assinou um dos últimos trabalhos como diretor de fotografia.

Abel Escoto também realizou alguns filmes, sobretudo documentais, e trabalhou ainda em publicidade.

Quando fez 90 anos, foi homenageado na Cinemateca Portuguesa, onde foi exibido o filme «Abel Escoto e as fitas do seu tempo», assinado por Tony Costa, como recorda a Lusa.