A atriz e humorista brasileira Márcia Cabrita morreu esta sexta-feira, vítima de cancro do ovário que combatia desde 2010. A informação foi confirmada pela Globo.

Marcia Cabrita tornou-se mais conhecida em Portugal pelo papel na série de humor “Sai de Baixo”, ao lado de Miguel Falabella e Marisa Orth. Participou na série entre 1997 e 2000, interpretando a empregada doméstica Neide Aparecida.

A atriz afastara-se há três meses da novela “Novo Mundo”, na qual participava, para fazer tratamentos, mas há dez dias foi internada no Hospital Quinta d’Or, na sequência do agravamento da doença, no Rio de Janeiro, indicou à imprensa Ricardo Parente, ex-marido e pai da filha da artista.

A sua morte foi confirmada ao início da madrugada de hoje. Ricardo Parente afirmou, citado pelo Globo, que Márcia Cabrita “foi em paz" e não sofreu.

Márcia Cabrita deveria começar este mês a gravar um filme baseado na série "Sai de baixo", em São Paulo.

O trabalho mais recente de Marcia Cabrita foi na novela "Novo Mundo”, já este ano. Mas são muitos os personagens que Marcia Cabrita deixa na memória dos brasileiros: estreou-se na minissérie "As noivas de Copacabana" (1992) e participou em novelas como "Desejos de mulher" (2002), "Sete pecados" (2007), "Beleza pura" (2008) e "Morde & Assopra" (2001).

Filha de imigrantes portugueses, Márcia Martins Alves nasceu em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1964.

Estudou teatro, altura em que conheceu o também ator e humorista Luís Salem, que seria seu parceiro durante toda a carreira.

A atriz, que sempre publicou textos irreverentes nas redes sociais e num blogue que criou para partilhar a sua relação com o cancro, foi também colunista convidada da Revista Globo.

Num texto publicado na revista, em 2011, Márcia Cabrita assumiu a sua dificuldade em lidar com a doença e criticou “a cobrança” de que são vítimas as pessoas com cancro.

Ao contrário do que muitos fantasiam, não tirei de letra. Não sei o porquê, mas existe uma ideia estapafúrdia de que quem está com cancro tem que, pelo menos, parecer herói. Nãnãninã não! Quem recebe uma notícia dessas não consegue ter pensamentos belos. Bem... eu não conseguia. A cobrança de positividade acabou se tornando um problema. Me olhava no espelho branca, magrela e de cabelos curtinhos (antes de caírem) e me achava pronta para fazer figuração na Lista de Schindler", escreveu.