O ator Camilo de Oliveira era "um carimbo de garantia de que as pessoas se iam divertir, rir a bom rir, gargalhar", afirmou este domingo o ator Vítor de Sousa, recordando uma vida dedicada ao teatro e à comédia.

"Muitas pessoas saíam de casa sem saber o nome da peça ou da revista em que ele participava, mas como era com o Camilo de Oliveira era para divertir e isso acontece com poucas pessoas. Era um carimbo de garantia de que as pessoas se iam divertir, rir a bom rir, gargalhar e tinham no Camilo essa garantia", declarou Vítor de Sousa, reagindo à morte do ator Camilo de Oliveira.

O ator Camilo de Oliveira morreu no sábado à noite, aos 91 anos, informou à Lusa fonte da família.

Em declarações à Lusa, o ator Vítor de Sousa considerou "triste ver partir um excelente profissional, exigente, com um feitio às vezes um pouquinho difícil, a quem se deve uma vida recheada de trabalho".

"A quem devemos uma grande ovação e um grande agradecimento pela dedicação ao teatro e às pessoas que gostavam dele."

Vítor de Sousa recorda-se especialmente de ter trabalhado com Camilo de Oliveira no Sabadabadu foi um programa da RTP, que foi para o ar em 1981.

"Foi uma experiência maravilhosa, o programa teve na altura imensa audiência e foi um trabalho excelente. Recordo-me especialmente do Camilo a fazer o tão divertido padre Pimentinha, de que eu era sacristão", recordou.

Já a cantora e atriz Simone de Oliveira recordou Camilo de Oliveira como um homem bom, com um temperamento por vezes “nada fácil”, mas muito amado por todos.

“Trabalhei muito com ele, o Camilo foi o ator que foi, todos sabemos, viveu uma vida boa e longa”, disse Simone de Oliveira à agência Lusa.

Simone afirmou que Camilo de Oliveira não era “um colega fácil”, recordando que tiveram muitas discussões, mas que “tudo passou”.

“Era um homem muito amado por todos, se existe algum lugar lá em cima, espero que esteja num lugar bom.”

O humorista Herman José, por sua vez, salientou o profissionalismo “exemplar” e a verticalidade do ator.

“Não imagino vida mais completa: profissionalismo exemplar, amores totais, caráter, verticalidade e alguns inimigos de estimação pelas razões certas”, escreveu Herman José na sua página de Facebook, pouco tempo depois de a imprensa ter dado a notícia da morte do ator.

Herman destacou ainda as qualidades profissionais de Camilo, que comparou com o dramaturgo norte-americano Arthur Miller, autor da peça Morte de um Caixeiro Viajante e casado em 1956 com a atriz Marilyn Monroe: “Se fosse uma peça, a vida do Camilo de Oliveira estaria ao nível do melhor Arthur Miller”, disse.

Em declarações à Lusa, o ator Luís Alberto, que contracenou com Camilo num dos últimos programas de televisão do ator, lamentou a perda de um “excelente comediante” e enalteceu as qualidades pessoais do ator.

“Tínhamos um bom relacionamento e uma grande amizade, e deixa-me muito boas recordações”, afirmou Luís Alberto.

O investigador Luciano Reis considerou Camilo de Oliveira um dos maiores decanos da história do teatro e da interpretação em Portugal, que atuou em quase todos os teatros no país e nas ex-colónias.

“É um exímio na arte de representar, nomeadamente no campo da farsa, da comédia”, disse à agência Lusa o académico, acrescentando que o ator foi também “um bom construtor de textos” e dirigente de atores.

“Deixou um vasto acervo”, afirmou Luciano Reis, recordando também as muitas peças de televisão protagonizadas pelo ator, que morreu no sábado, aos 91 anos.

O Presidente da República também já reagiu à morte do ator, destacando "o humor doce e muito português" caraterístico do ator Camilo de Oliveira, salientando que, ao longo da sua carreira, animou várias gerações e que continuará a ser lembrado no país.

O ator Camilo de Oliveira morreu no sábado à noite, aos 91 anos, informou à Lusa fonte da família. Segundo fonte familiar, o ator, que dedicou a sua vida à comédia portuguesa, morreu no sábado às 20h10 em Lisboa.

De acordo com a mesma fonte, está prevista uma cerimónia na Basílica da Estrela na terça feira.