A produtora indiana de cinema All Around Globe, do produtor Rengarajan Jaiprakash, prepara-se para rodar na íntegra uma longa-metragem em Portugal, onde abriu uma delegação, disse esta segunda-feira à Lusa fonte da empresa.

"Airport - Shaira & Me" será rodado entre abril e maio e representa a primeira longa-metragem que aquela produtora indiana rodará na totalidade em Portugal, depois de ter filmado algumas cenas em território português desde 2013.

De acordo com a produtora, "Airport - Shaira & Me" será rodado pelo ator e realizador com Adhyayen Suman em Lisboa, Sintra, Porto, Beja e em algumas praias no Algarve.

Desde 2013 que esta produtora indiana tem escolhido Portugal como destino de rodagem de algumas cenas para quatro filmes: "Balupu" (2013), "Bachchan" (2014), "Pandaga Chesko" (2015) e "Chakravyuha" (2016).

Sedeada na Índia, a All Around Globe tem também escritórios na Suíça, no Reino Unido e, desde fevereiro, em Lisboa.

Nos últimos anos, Portugal tem procurado que mais produtoras cinematográficas estrangeiras filmem em território nacional, através de estruturas como as "film commissions" e em articulação com o setor do turismo.

O anterior governo chegou a criar em 2014 um grupo de trabalho interministerial, designado por "Portuguese Film Commission", precisamente para promover os recursos de Portugal na captação de produções cinematográficas e audiovisuais estrangeiras.

Em 2015, em entrevista à agência Lusa, a presidente do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), Filomena Serras Pereira, falava na intenção de promover o país "como destino de rodagem, através de um esquema de incentivos e com o fundo de financiamento".

Esse fundo de financiamento teria como objetivo financiar os produtores estrangeiros para filmarem em Portugal. Na altura, Filomena Serras Pereira afirmou que gostaria que esse fundo tivesse três milhões de euros.

Na proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2016, o atual Governo incluiu a criação de um incentivo fiscal de apoio à produção de cinema em Portugal e cujo modelo deverá estar desenvolvido até maio.

Aquele incentivo fiscal passa por uma dedução à coleta de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), que é apurada sobre as despesas da produção cinematográfica, igual ou superior a um milhão de euros.

A ideia é criar um mecanismo para que as verbas coletadas por aquele incentivo sejam depois utilizadas por produções abaixo desse valor, ou seja, pelos "que não apurem coleta de IRC suficiente para a dedução prevista", lê-se na proposta de OE.

De acordo com dados do ICA, o setor do cinema, audiovisual e multimédia em Portugal representava, em 2012, cerca de 6.800 trabalhadores, 811 empresas e um volume de 949 milhões de euros em vendas, dos quais apenas 73 milhões de euros eram para exportação.