O Festival Internacional Filmes sobre Arte vai exibir 22 filmes entre quinta-feira e domingo, em Lisboa, quatro deles portugueses e todos os estrangeiros em estreia nacional, anunciou hoje a organização.

Em oitava edição, o certame prossegue a apresentação de uma programação de filmes internacionais e nacionais que abordam temas artísticos nas artes visuais, fotografia, teatro, literatura, música, entre outras.

O Festival Internacional Filmes sobre Arte em Portugal foi criado em 2008 por Rajele Jain, com o apoio do Festival Temps D’Images, e desde então tem sido produzido de forma independente pela Associação Cultural Vipulamati: Ample Intelligence.

A diretora do certame, Rajele Jain, disse à agência Lusa que esta oitava edição realiza-se na capital sem apoios do Festival Temps D´Images ou do Instituto do Cinema e do Audiovisual, "o que levou à diminuição do número das sessões a dois terços, reduzindo a seleção de filmes portugueses em competição".


Entre 01 e 04 de outubro, os filmes vão ser exibidos com entrada livre na Galeria Zé dos Bois (GZDB), em Lisboa, com "Tapes from the revolutionary", de Scott Willis, na abertura.

Nos oito anos de existência deste certame, em Lisboa, foram apresentados cerca de 240 filmes, introduzindo o universo e práticas artísticas de 350 criadores, músicos, bailarinos, realizadores e escritores de todo o mundo.

Na secção competitiva do festival serão exibidos, entre outros, filmes de fotógrafos, tal como o russo Vitas Luckus, em "Master and Tatyana", de Gierè Žickyté, uma viagem pelo seu extenso arquivo disponibilizado pela viúva anos após a sua morte.

A vida da fotógrafa latino-americana Graciela Iturbide vai estar em foco num filme de Susan Sollins, curadora norte-americana dedicada às vanguardas que produziu também uma série de televisão nomeada para vários prémios, desmistificando e popularizando a arte contemporânea.

Susan Sollins é também a realizadora do filme sobre Trevor Paglen, um artista visual cujo cerne do trabalho se debruça sobre a vigilância estatal e a tecnologia militar.

O trabalho de outros artistas visuais também pode ser conhecido através dos filmes sobre Jamian Juliano-Villani, retratado por Rafael Salazar & Ava Wiland, o casal de artistas Arno Maggs & Spring Hurlbut, filmado pela realizadora canadiana Katherine Knight, que estará em Lisboa.

Também serão exibidos filmes inspirados em músicos e compositores como Eric Satie, Jorge Lima Barreto, Maria Tanase e a cena musical avant-garde argelina no filme "Rhythm of Time", de Elias Djemil, ou o documentário sobre a lenda de jazz Peter Brötzmann, com presença do realizador de cinema experimental Peter Sempel.

Será exibido o documentário "(Entre) Cenas", de Rui Simões, abordando a rodagem de "Os Maias", de João Botelho, e "The Island that was", de Alberto Gamberto, sobre o lendário realizador neorealista Renato Dall’Ara.

O filme "Reza Abdoh – Theatre Visionary", de Adam Soch, é dedicado ao encenador e escritor iraniano Reza Abdoh, que faleceu aos 32 deixando um legado de vida que influenciou inúmeros encenadores e atores de teatro experimental.

O júri da edição deste ano é composto por quatro realizadores e artistas portugueses: Eduardo Barbosa da Cunha, Patrícia Guerreiro, Rui Calçada Bastos e Gustavo Sumpta, que irão distinguir cinco filmes através de três prémios e duas menções honrosas.

Segundo a organização, devido a limitações no orçamento, não haverá distinção entre os prémios atribuídos a filmes nacionais e internacionais.

Os prémios são o Golden Rabbit, por mérito na realização de um filme sobre arte, o Silver Rabbit, por mérito na realização de um filme sobre arte, e o Iron Rabbin, para o filme que reflete, da forma mais original, a importância das artes na sociedade.