"O inquieto", a primeira parte do filme "As mil e uma noites", de Miguel Gomes, retrato de Portugal em clima de austeridade e desemprego, estreia-se hoje, em onze cidades portuguesas.

"As mil e uma noites" é um filme dividido em três partes, inspirado na estrutura do livro de contos "As mil e uma noites", mas Miguel Gomes coloca Xerazade como narradora de histórias baseadas em testemunhos verídicos que retratam a sociedade portuguesa no meio da crise social e económica, em 2013 e 2014, quando a "troika" impôs um pacote de medidas ao governo português.

No total, são seis horas de filme repartidas por três volumes: "O inquieto", "O Desolado", que se estreia a 24 de setembro, e "O Encantado", com estreia a 01 de outubro. No próximo fim-de-semana, todos os filmes serão mostrados no Cinema Ideal, em Lisboa.

Enquanto o realizador cumpre a estreia comercial em Portugal - depois de "As mil e uma noite" ter passado já por festivais internacionais -, está garantida a estreia em cerca de trinta países, entre os quais Grécia, Espanha, Irlanda, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Japão e Brasil.

Em entrevista à agência Lusa, Miguel Gomes explicou que uma das razões que o levaram a criar "As mil e uma noites" foi "querer fazer um filme em que a ficção é muito assumida e é quase delirante".

"Para contrapor à má ficção que é a mentira dos políticos que fazem de conta que tudo está bem. E essa é a má ficção, porque é a ficção que se finge real, que se tenta passar pela real. A boa ficção só pode ser a ficção que se assume como ficção, não quer mentir", disse.