O comediante norte-americano Louis C.K. foi acusado de má-conduta sexual para com várias mulheres, incluindo ter-se masturbado à frente delas, de acordo com o jornal The New York Times.

Conhecidas as alegações, Louis C.K. divulgou um depoimento em que admite a verdade das acusações.

"Estas histórias são verdadeiras", disse o ator, citado pelo The New York Times"Na altura, disse a mim próprio que o que fiz não era errado, porque nunca me tinha exibido a uma mulher sem perguntar primeiro, o que também é verdade. Mas o que aprendi mais tarde na vida, demasiado tarde, é que quando estamos numa posição de poder sobre outra pessoa, essa questão não se põe. É pô-las em apuros. O poder que tinha sobre estas mulheres é que elas me admiravam. E usei esse poder de forma irresponsável.".

Ao longo de quatro parágrafos, com mais de 2500 carateres, Louis C.K. lamenta a situação, os danos causados ao canal FX, que acolhe os seus programas de comédia, à distribuidora The Orchard e a todos aqueles "que apostaram" na sua carreira ao longo dos anos.

"Causei dor à minha família, aos meus amigos, aos meus filhos e à mãe deles", escreve o ator.

O comediante afirma ainda que só agora percebeu como as suas ações tiveram impacto nas vidas das mulheres que assediou e confessa que tentou silenciar as vítimas usando o seu poder e prestígio na comunidade da comédia para fugir dos erros.

"Agora tenho noção da extensão do impacto das minhas ações. Percebi ontem como deixei estas mulheres que me admiravam a sentirem-se mal com elas próprias e a serem cautelosas ao pé de homens que nunca as poriam em situações semelhantes. Também aproveitei o facto de ser muito admirado na nossa comunidade, o que as impediu de partilhar as suas histórias e causei-lhes dificuldades quanto tentaram porque as pessoas que admiravam não queriam ouvi-las. Não pensei no que estava a fazer porque a minha posição me permitia não pensar nisso. Gastei a minha longa e afortunada carreira a falar e a dizer tudo o que queria. Afastar-me-ei agora, durante um longo período de tempo para ouvir", conclui.

Cancelada distribuição de filme 

A companhia independente norte-americana The Orchard cancelou a distribuição do filme "I love you Daddy", de Louis C.K., confirmadas as acusações de má-conduta sexual do comediante.

"The Orchard não vai avançar com a distribuição de 'I Love You, Daddy'”, nos Estados Unidos, comunicou hoje a empresa, que tinha marcado a estreia americana do filme para o próximo dia 17. A apresentação do filme em Nova Iorque, na quinta-feira à noite, foi cancelada, assim como a participação do comediante no programa "The Late Show With Stephen Colbert", da CBS.

A distribuição internacional do filme continua porém confirmada, com datas anunciadas para a Europa.

"I love you, Daddy" é uma das antestreias inseridas na programação do Lisbon & Sintra Film Festival, que vai decorrer de 17 e 26 de novembro, em Lisboa e Sintra, com exibição prevista no dia 23, no cinema Medeia Monumental. A estreia comercial portuguesa verificar-se-á pouco depois.

O filme estreou-se em setembro, no festival de cinema de Toronto. A ação centra-se num septuagenário que seduz uma adolescente. A crítica, na altura, associou o enredo à vida de Woody Allen.

Na quinta-feira, o canal norte-americano HBO anunciou que Louis C.K. já não vai participar no programa "Night of Too Many Stars: America Unites for Autism Programs", que será transmitido no próximo dia 18. A HBO anunciou ainda que vai retirar projetos antigos do comediante do seu serviço de ‘video on demand’.

A Netflix anunciou igualmente ter desistido da produção de um novo programa de comédia com o ator.

O criador da série "Mad Men", Matthew Weiner, também foi colocado debaixo de fogo na quinta-feira, depois da a ex-guionista da série Kater Gordon o ter acusado de assédio sexual.

Louis C.K. e Matthew Weiner fazem parte da lista de personalidades de Hollywood acusadas de má-conduta. A onda de revelações surgiu após virem a púbico dezenas denúncias de assédio sexual contra o famoso produtor Harvey Weinstein.

Procuradoria cria equipa para investigar casos de abuso sexual

A procuradora do condado de Los Angeles, no Estado da Califórnia, Jackie Lacey, anunciou a criação de uma equipa para avaliar e investigar os numerosos casos de abuso e assédio sexual em Hollywood revelados nas últimas semanas.

Através de um comunicado de imprensa, Lacey adiantou que o grupo vai ser integrado por procuradores com experiência em crimes sexuais, que vão trabalhar em conjunto para “garantir um foco comum na análise legal e possível acusação de qualquer caso que respeite os padrões legais e fáticos”.

Lacey assinalou que “até agora” não recebeu qualquer solicitação de forças de segurança para apresentar acusações e destacou que estão em comunicação permanente com os corpos policiais de Los Angeles e Beverly Hills.

O diário Los Angeles Times assinalou que a polícia de Los Angeles está a investigar pelo menos duas acusações de agressão sexual contra o produtor Harvey Weinstein e uma que tem o ator Ed Westwick como presumível responsável.

Mesmo assim, a polícia de Beverly Hills tem abertas duas investigações em relação a Weinstein e ao cineasta James Toback.