A série portuguesa "A.Lusitanicus" foi selecionada para o festival de Roma, um dos mais importantes festivais de séries da internet, e vai competir na categoria comédia, disse à Lusa um dos autores da obra.

A série já tinha sido antes selecionada para um festival em Espanha e é a 'websérie' independente portuguesa com mais visualizações - 300 mil visualizadores regulares, únicos (com o mesmo endereço de origem), segundo os responsáveis.

A "A.Lusitanicus" (na definição, uma espécie de lesma, ibérica e venenosa) é a primeira série portuguesa de humor produzida para a internet e estreia em breve a terceira temporada, sempre à volta dos primórdios da história do território que é hoje Portugal, quando os lusitanos lutavam contra os romanos.

É por isso que os autores, Duarte Neves e Elisa Generoso, dizem que a série chega com 2000 anos de atraso.

Duarte Neves, que realiza, explicou à Lusa que as filmagens começaram em 2013 e que a série começou a ser divulgada no ano passado. A terceira temporada, filmada em Boticas, está praticamente pronta e introduz os romanos, devendo Viriato (que lutava contra a presença romana) entrar numa fase posterior.

“A internet dá-nos uma coisa importante que é a ligação com o público”, diz o realizador, acrescentando: “Não estamos a falar de cinema, mas são coisas muito emergentes e criativas”.


Diz Duarte Neves que, por todo o mundo, os grandes grupos de comunicação social estão a investir na internet, e que, para o grupo da "A.Lusitanicus", é “muito importante” contactar com essa criatividade, que vai estar exposta em Roma, no festival.

A série nasceu de um projeto do realizador Ruben Alves ("A gaiola dourada") - na altura, para televisão e que foi recusado -, e poderá em breve saltar para a televisão, de acordo com Duarte Neves (a série brasileira Porta dos Fundos, por exemplo, passou para a televisão, depois de grande sucesso na internet).

O realizador diz que já houve uma abordagem para transpor a séria para o 'pequeno ecrã' e que, seja para esse suporte (“já temos idealizados episódios para televisão”), seja para cinema, é sempre necessário adaptar o atual formato.

“O que é importante é a ideia do universo, da primeira aldeia da nossa história”, afirma.


Nesta “aldeia” lusitana, que pode ser visitada em www.alusitanicus.com, pontificam o ator Rodrigo Soares e a modelo Sofia Baessa, entre outros nomes, às voltas com pequenas histórias (de três a quatro minutos) dos povos ibéricos pré-romanos, mas a viverem problemas da atualidade.

Partindo da frase atribuída a Júlio César “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar”, a série conta as dificuldades de um herói conseguir cancelar os recibos verdes, mostra uma campanha eleitoral ou uma visita da inspeção (ASAE) a uma cozinha, entre outras histórias.

Tendo sempre como pano de fundo a luta contra os romanos, a série vai estar em Roma de 25 a 27 de setembro. Dois mil anos atrasada.